Suporte Social, Resiliência e Bem-Estar no Trabalho de Motoristas de Ônibus

Autores

DOI:

https://doi.org/10.58210/rie3746

Palavras-chave:

Suporte Social., Resiliência., Bem-Estar no Trabalho., Motoristas de ônibus.

Resumo

O trabalho noturno impõe desafios ao bem-estar dos trabalhadores, especialmente em ocupações com longas jornadas, altas demandas e riscos psicossociais. Este estudo investiga relações entre suporte social, resiliência e bem-estar no trabalho (BET) em motoristas de ônibus dos turnos diurno e noturno no estado do Rio de Janeiro. Adotou-se delineamento transversal, quantitativo, correlacional e comparativo. Participaram 219 motoristas avaliados por instrumentos validados: Escala de Bem-Estar no Trabalho, Escala de Resiliência CD-RISC-10 e Escala Multidimensional de Suporte Social Percebido. As análises foram realizadas no software JASP, incluindo estatísticas descritivas, teste de normalidade, correlações, Análise Fatorial Confirmatória e Modelagem de Equações Estruturais. A comparação entre turnos utilizou o teste U de Mann-Whitney. Os resultados indicaram níveis significativamente menores de bem-estar entre motoristas noturnos, associados a alterações do ritmo circadiano. Observou-se associação robusta entre suporte social e resiliência, sendo a resiliência preditora do BET e mediadora dessa relação, com implicações relevantes à saúde.

Biografia do Autor

Mgtr. Alexandre da Silva Teixeira, Universidade Salgado de Oliveira

Mestre em Psicologia pela Universidade Salgado Oliveira

Dra. Ana Lucia Mendes Teixeira, Universidade Salgado de Oliveira, Universidade Estácio de Sá

Psicóloga graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro PUC-Rio (1986), com doutorado em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia - UFBA (2017) e mestrado em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2006). Possui especialização em psicodrama, dinâmica de grupo e marketing. É docente do Curso de Psicologia da Universidade Estácio de Sá (UNESA/RJ). Atua no Programa de Pós-graduação em Psicologia da UNIVERSO/RJ. Tem experiência profissional de 14 anos em empresa de grande porte, atuando principalmente nas áreas de Gestão de Pessoas, Saúde Ocupacional e Qualidade. Atua como docente desde 2003 em Universidades, nos Cursos de Graduação em Psicologia e Administração e na Pós-graduação em Gestão de Pessoas. Fez estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFBA (pesquisadora PNPD/CAPES), atuando como docente, contribuindo no desenvolvimento de pesquisas, atividades acadêmicas, organização de eventos e reuniões do colegiado. Tem participado de comissões para elaboração de Projeto Pedagógico de Curso (PPC) e estrutura curricular, para aprovação de Cursos de Psicologia no Rio de Janeiro, junto ao MEC. Desenvolve projetos de pesquisa e ações para promoção da saúde e melhoria do bem-estar de estudantes e trabalhadores: (a) elaboração e aplicação de programa de treinamento e desenvolvimento em 2019 voltado para o desenvolvimento de habilidades no manejo das emoções e do estresse, com empregados da Estácio Campus Ilha do Governador; (b) aplicação de pesquisa em 2020 sobre emoções vivenciadas no contexto da pandemia e as estratégias utilizadas para lidar com o isolamento social; (c) desenvolvimento de pesquisa em 2021 com objetivo de realizar diagnóstico sobre sintomas relativos à ansiedade, estresse e depressão associados ao contexto de pandemia, com alunos universitários no Rio de Janeiro. É responsável pelo grupo de pesquisa sobre Bem-estar em contextos laborais (UNIVERSO), e participa do grupo de pesquisa Emoções, Sentimentos e Afetos em Contextos de Trabalho (UFBA) realizando estudos sobre regulação emocional, trabalho emocional, emoções, sentido no trabalho e bem-estar subjetivo, psicológico e no trabalho. Atuou como consultora de RH em empresas.

Referências

Alcântara, V. C., Oliveira, S. N., Vieira, A. S., & Santos, J. L. (2020). O trabalho no trânsito e a saúde dos motoristas de ônibus: Estudo fenomenológico. Avances em Enfermería, 38(2), 159–169.

Amaral, D..J. & Siqueira, M..M..M. (2004). Relações entre percepção da estrutura organizacional e bem-estar de profissionais de uma empresa em processo de privatização. In J. Ribeiro & I. Leal (Orgs.), Actas do 5º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde (pp. 671-677). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Anyan, F., & Hjemdal, O. (2016). Adolescent stress and symptoms of anxiety and depression: Resilience explains and differentiates the relationships. Journal of affective disorders, 203, 213-220.

Borges Marques, H., Pereira de Souza, E., Guimarães Machado, E. D., & Alves Marcelino da Silva, A. (2024). Possíveis comorbidades associadas interrupção do ciclo circadiano em decorrência do trabalho noturno: uma revisão sistemática. Peer Review, 6(6), 281–295. https://doi.org/10.53660/PRW-2014-3711

Byrne, B. M. (1994). Burnout: Testing for the validity, replication, and invariance of causal structure across elementary, intermediate and secondary teachers. American Educational Research Journal, 31, 645-673.

Butler, L. D., Morland, L. A., & Leskin, G. A. (2006). Psychological Resilience. Psychology of terrorism, 400.

Charles-Leija, H., Castro, C. G., Toledo, M., & Ballesteros-Valdés, R. (2023). Trabalho significativo, felicidade no trabalho e intenções de rotatividade. Revista internacional de pesquisa ambiental e saúde pública, 20(4), 3565

Danna, K. & Griffin, R. W. (1999). Healthy and well being in the workplace: A review and synthesis of the literature. Journal of Management, 25(3), 357-384.

Feeney, B., & Collins, N. (2014). Um novo olhar sobre o suporte social. Revisão de Personalidade e Psicologia Social, 19, 113 - 147.

Fischer, F. M., Teixeira, L. R., Borges, F. N., & Ferreira, R. M. (2020). Consequências do trabalho noturno sobre a saúde dos trabalhadores. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 18(1), 66–72.

Fletcher, D., & Sarkar, M. (2013). Psychological resilience: A review and critique of definitions, concepts and theory. European Psychologist, 18(1), 12–23.

Gabardo-Martins, L. M. D., & Valentini, F. (2017). Propriedades psicométricas da escala multidimensional de suporte social percebido. Trends in Psychology, 25(4), 1873- 1883.

Gomide Júnior, S., Silvestrin, L. H. B., & Oliveira, Á. F. (2015). Bem-estar no trabalho: o impacto das satisfações com os suportes organizacionais e o papel mediador da resiliência no trabalho. Revista Psicologia: Organizações e Trabalho, 15(1), 19–29

Henshall, C., Davey, Z., & Jackson, D. (2020). Intervenções de resiliência de enfermagem – Um caminho a seguir em territórios desafiadores de saúde. Jornal de Enfermagem Clínica, 29, 3597-3599. https://doi.org/10.1111/jocn.15276.

Hirschle, A. L. T., & Gondim, S. M. G. (2020). Estresse e bem-estar no trabalho: uma revisão de literatura. Ciência & Saúde Coletiva, 25(7), 2721–2736.

Hobfoll, S. E. (1989). Conservation of resources: A new attempt at conceptualizing stress. American Psychologist, 44(3), 513–524.

Köse, S., Baykal, B., & Bayat, I. (2021). Mediator role of resilience in the relationship between social support and work life balance. Australian Journal of Psychology,73,316 - 325. https://doi.org/10.1080/00049530.2021.1895678.

Luz, D. C. R. P., Campos, J. R. E., Bezerra, P. D. O. S., Campos, J. B. R., do Nascimento, A.M. V., & Barros, A. B. (2021). Burnout e saúde mental em tempos de pandemia de COVID-19: revisão sistemática com metanálise. Nursing (São Paulo), 24(276),5714- 5725.

Mahikul, W., Aiyasuwan O., Thanartthanaboon, P, Chancharoen, W., Achararit, P., Sirisombat, T., & Singkham, P. (2022). Fatores que afetam a gravidade dos acidentes de ônibus na Tailândia: um modelo logit multinomial. PLOS ONE, 17. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0277318.

Maslach, C., Schaufeli, W. B. & Leiter, M. P. (2001). Job burnout. Annual Review of Psychology, 52, 397-422.

Meyer, N., Harvey, A. G., Lockley, S. W., & Dijk, D. J. (2022). Ritmos circadianos e distúrbios do tempo de sono. O Lancet, 400 (10357), 1061-1078.

Moradi, A., Nazari, S., & Rahmani, K. (2019). Sonolência e risco de acidentes de trânsito: uma revisão sistemática e meta-análise de estudos anteriores. Pesquisa de Transporte Parte F: Psicologia e Comportamento do Tráfego. https://doi.org/10.1016/J.TRF.2018.09.013.

Moreno, C., Marqueze, E., Sargent, C., Wright, K., Ferguson, S., & Tucker, P. (2019). Declarações de consenso da Working Time Society: Efeitos baseados em evidências do trabalho por turnos na saúde física e mental. Saúde Industrial, 57, 139 - 157. https://doi.org/10.2486/indhealth.SW-1.

Murgaš, F., Petrovič, F., & Tirpáková, A. (2022). Capital social como preditor de qualidade de vida: a experiência tcheca. Revista Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública,19. https://doi.org/10.3390/ijerph19106185.

Norbury, A., Seeley, S., Perez-Rodriguez, M., & Feder, A. (2023). Neuroimagem funcional da resiliência ao trauma: evidências convergentes e desafios para pesquisas futuras. Medicina Psicológica, 53, 3293 - 3305.

Oliveira, F. J., & Beck, C. L. C. (2021). Estresse ocupacional em motoristas de transporte coletivo urbano: Revisão integrativa da literatura. Revista Brasileira deMedicina do Trabalho, 19(1), 109–117.

Ottani, K. P., & Carlos, C. M. G. (2012). Motoristas profissionais no trânsito e suas consequências. Revista do Centro Universitário de Araras Dr. Edmundo Ulson, 6(1), 61–72.

Paschoal, T., & Tamayo, A. (2008). Construção e validação da escala de bem-estar no trabalho. Avaliação Psicológica, 7(1), 11-22.

Peters, E., Spanier, K., Radoschewski, F., & Bethge, M. (2018). Influência do suporte social entre funcionários na saúde mental e na capacidade de trabalho - um estudo de coorte prospectivo em 2013-15. Revista Europeia de Saúde Pública, 28, 819–823.

Richardson, G. E. (2002). The metatheory of resilience and resiliency. Journal of clinical psychology, 58(3), 307-321.

Ryan, R. M., & Deci, E. R. (2001). On happiness and human potentials: a review of research on hedonic and eudaimonic well-being. Annual Review of Psychology, 52, 141-166.

Ryff, C. D. (1989). Happiness is everything, or is it? Explorations on the meaning of psychological well-being. Journal of Personality and Social Psychology, 57(6), 1069- 1081.

Ruan, W., Yuan, X., & Eltzschig, H. K. (2021). Circadian rhythm as a therapeutic target. Nature Reviews Drug Discovery, 20(4), 287-307.

Southwick, S. M., Sippel, L., Krystal, J., Charney, D., Mayes, L., & Pietrzak, R. (2016). Why are some individuals more resilient than others: the role of social support. World psychiatry,15(1), 77.

Sparks, K., Fargher, B. & Cooper, C. L. (2001). Well being and occupational health in the 21st century workplace. Journal of Occupational and Organizational Psychology, 74, 489-509.

Sarason, I., Sarason, B., & Pierce, G. (1990). Suporte social, personalidade e desempenho. Jornal de Psicologia Aplicada do Esporte, 2, 117-127. https://doi.org/10.1080/10413209008406425.

Sato, K., Kuroda, S., & Owan, H. (2020). Efeitos na saúde mental de longas horas de trabalho, trabalho noturno e de fim de semana e curtos períodos de descanso. https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2019.112774

Silva, I., & Costa, D. (2023). Consequências do trabalho por turnos e do trabalho noturno: uma revisão da literatura. Saúde, 11. https://doi.org/10.3390/healthcare11101410.

Stevens, M., Cruwys, T., & Murray, K. (2020). O suporte social facilita a atividade física, reduzindo a dor. Jornal britânico de psicologia da saúde.

Surzykiewicz, J., Skalski, S. B., Sołbut, A., Rutkowski, S., & Konaszewski, K. (2022). Resiliência e regulação das emoções em adolescentes: análise seriada da mediação por meio da autoestima e do suporte social percebido. Revista internacional de pesquisa ambiental e saúde pública, 19(13), 8007.

Tordjman, S., Chokron, S., Delorme, R., Charrier, A., Bellissant, É., Jaafari, N., & Fougerou, C. (2017). Melatonin: pharmacology, functions and therapeutic benefits. Current Neuropharmacology, 15(3),434-443. https://doi.org/10.2174/1570159x14666161228122115

Ungar, M., & Theron, L. (2019). Resiliência e saúde mental: como os processos multissistêmicos contribuem para resultados positivos. A lanceta. Psiquiatria.

Waterman, A. S. (1993). Two conceptions of happiness: contrasts of personal expressiveness (eudaimonia) and hedonic enjoyment. Journal of Personality and Social Psychology, 64(4), 678-691.

Waterman, A. S., Schwartz, S. J., & Conti, R. (2008). The implications of two conceptions of happiness (hedonic enjoyment and eudaimonia) for the understanding of intrinsic motivation. Journal of Happiness Studies, 9(1), 41-79

Publicado

11-03-2026

Como Citar

Teixeira, Alexandre da Silva, Ana Lucia Mendes Teixeira, Luis Antônio Monteiro Campos, e Alberto Abad. 2026. “Suporte Social, Resiliência E Bem-Estar No Trabalho De Motoristas De Ônibus”. Revista Inclusiones 13 (2):e3746. https://doi.org/10.58210/rie3746.

Edição

Seção

Artículos

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.