UM PROCESSO ENVOLTO EM DUAS ATMOSFERAS: A DIMINUIÇÃO DO CULTIVO CAFEEIRO NO PARANÁ – BRASIL (1960-1975)

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Mg. Juliane Roberta Santos Moreira
Dra. Alessandra Izabel de Carvalho

Resumen

Em 18 de julho de 1975 o fenômeno conhecido como geada negra atingiu o Paraná provocando grandes danos para a agricultura do estado, sobretudo nas lavouras de café da região Norte, erradicadas devido ao congelamento da seiva dos cafeeiros. Essa geada é um marco na história do estado, pois para os cafeicultores, ela intensificou as inquietações sobre o futuro da lavoura cafeeira que, além das adversidades climáticas, sofriam baixos preços, infestações de organismos prejudiciais às plantas e o desestímulo estatal para essa atividade. Até os anos iniciais da década de 1970, o cultivo de café do norte do Paraná liderava a produção brasileira, no entanto, desde a década anterior se delineavam esforços estatais para uma reorganização do espaço agrário dessa região, fomentando a diversificação de gêneros agrícolas, a tecnificação dos cultivos desenvolvidos, entre outras medidas que favoreceram o processo de retração da área de plantio de cafeeiros. Contudo, permaneceu no senso comum que a geada de 1975 foi a causa primeira desse processo, percepção que foi reforçada por jornais, publicações de órgãos públicos e mesmo em alguns trabalhos acadêmicos. Nosso principal objetivo é refletir através da análise crítica de documentos oficiais e imprensa regional sobre as ações desempenhadas pelos governos federal e estadual que contribuíram para o declínio em área de cultivo de cafeeiros no Paraná. Buscamos assim compreender os elementos atuantes nesse processo, suas ações e significações no contexto da intensificação da modernização da agricultura, desmistificando a geada como o motivo primordial para “o fim” da cafeicultura no estado.

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