Educação e Cultura: A Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) e um projeto de educação popular na Amazônia Tocantina – Brasil. - Volumen 13 Número 2 - Página —-


REVISTA INCLUSIONES – REVISTA DE HUMANIDADES Y CIENCIAS SOCIALES

ISSN 0719-4706
Volumen 13 Número 2
Abril - Junio 2026
e3772
https://doi.org/10.58210/rie3772

Educação e Cultura: A Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) e um projeto de educação popular na Amazônia Tocantina – Brasil.
/
Education and Culture: The Federation of Organizations for Social Assistance and Education (FASE) and a Popular Education Project in the Tocantina Amazon – Brazil.
/
Educación y Cultura: La Federación de Órganos para la Asistencia Social y Educacional (FASE) y un proyecto de educación popular en la Amazonia Tocantina – Brasil.

Esp. Afonso Estumano do Carmo
Universidade Federal do Pará, Brasil
aecarmo14@gmail.com
https://orcid.org/0009-0005-0472-2451

Dra. Andrea Silva Domingues

Universidade Federal do Pará, Brasil
andrea.domingues@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-9264-7754

Dr. Jesús Jorge Pérez Garcia
Universidade Federal do Pará, Brasil
jerjor2014@gmail.com
https://orcid.org/0000-0003-3691-8262


Fecha de Recepción:
 26 de febrero de 2026
Fecha de Aceptación: 30 de marzo de 2026
Fecha de Publicación: 2 de abril de 2026

Financiamiento:

Los autores declaran que este estudio no recibió financiación externa. Los recursos fueron proporcionados por los propios autores.

Conflictos de interés:

Los autores también declaran no tener ningún conflicto de intereses.

Correspondencia:

Nombres y Apellidos: Esp. Afonso Estumano do Carmo
Correo electrónico: aecarmo14@gmail.com

Dirección postal: Trav. das Flores, 761 - Marambaia, Cametá - PA, 68400-000, Brasil


Los autores retienen los derechos de autor de este artículo. Revista Inclusiones publica esta obra bajo una licencia Creative Commons Atribución 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite su uso, distribución y reproducción en cualquier medio, siempre que se cite apropiadamente a los autores originales.

https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/


Projeto de pesquisa que deu origem: O artigo está vinculado ao Projeto de Pesquisa intitulado “A FEDERAÇÃO DOS ÓRGÃOS PARA ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCACIONAL (FASE): Um projeto de educação popular na Vila de Porto Grande – PA” sob a coordenação do pesquisador Afonso Estumano do Carmo que compõe uma das pesquisas do Grupo de Pesquisa Discurso, Sentido, Sociedade e Linguagem – DISENSOL coordenado pela Dra. Andrea Silva Domingues, disponível no link  http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/519998

Resumo
Este artigo tem como objetivo analisar a chegada da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) e sua parceria com a Igreja Católica na região amazônica do Baixo Tocantins; tendo como foco a Vila de Porto Grande, Cametá – Pará (PA). Trata-se de uma pesquisa ação, que tem como corpus de análise obras memorialistas, narrativas orais e textos disponibilizados pela FASE em seu site institucional. Teoricamente a pesquisa está filiada à História Social e a Pedagogia Crítica, posibilitando aos leitores (as) compreender a importância da prática da História Oral com compromisso social, que conduziu este estudo a não apenas dialogar com a memória, mas compreendê-la como forma de resistência histórica e política. Ao concluirmos este estudo destacamos a importância da FASE no cotidiano dos trabalhadores (as) do campo, das águas e das florestas, principalmente na formação, educação e capacitação desses sujeitos em tempos ditatoriais; seja nos aspectos sociais, culturais, na saúde, na agricultura e ou na política na região do Baixo Tocantins, parte da Amazônia brasileira.

Palavras-chave: Educação; memória; FASE; Amazônia Brasileira; trabalhadores.

Abstract
This article aims to analyze the arrival of the Federation of Organizations for Social Assistance and Education (FASE) and its partnership with the Catholic Church in the Amazonian region of Baixo Tocantins, focusing on the Vila de Porto Grande, Cametá – Pará (PA). This is an action research study whose corpus of analysis comprises memorialist works, oral narratives, and texts made available by FASE on its institutional website. Theoretically, the research is affiliated with Social History and Critical Pedagogy, enabling readers to understand the importance of the practice of Oral History with social commitment, which led this study not only to engage with memory, but to understand it as a form of historical and political resistance. In concluding this study, we highlight the importance of FASE in the daily lives of rural, riverside, and forest workers, particularly in the training, education, and capacity-building of these subjects during dictatorial times, encompassing social, cultural, health, agricultural, and political aspects in the Baixo Tocantins region, part of the Brazilian Amazon.
Keywords: Education; memory; FASE; Brazilian Amazon; workers.

Resumen
Este artículo tiene como objetivo analizar la llegada de la Federación de Órganos para la Asistencia Social y Educacional (FASE) y su asociación con la Iglesia Católica en la región amazónica del Baixo Tocantins, con foco en la Vila de Porto Grande, Cametá – Pará (PA). Se trata de una investigación acción cuyo corpus de análisis comprende obras memorialistas, narrativas orales y textos disponibilizados por la FASE en su sitio institucional. Teóricamente, la investigación se adscribe a la Historia Social y a la Pedagogía Crítica, posibilitando a los/las lectores/as comprender la importancia de la práctica de la Historia Oral con compromiso social, lo que condujo este estudio no solo a dialogar con la memoria, sino a comprenderla como forma de resistencia histórica y política. Al concluir este estudio, destacamos la importancia de la FASE en el cotidiano de los/las trabajadores/as del campo, de las aguas y de los bosques, principalmente en la formación, educación y capacitación de estos sujetos en tiempos dictatoriales, tanto en los aspectos sociales, culturales, de salud, agrícolas y políticos en la región del Baixo Tocantins, parte de la Amazonia brasileña.
Palabras clave: Educación; memoria; FASE; Amazonia Brasileña; trabajadores.

Introdução

Este artigo tem como objetivo, interpretar a atuação e os impactos da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) e suas parcerias com a igreja católica, na região amazônica do Baixo Tocantins, especificamente na Vila de Porto Grande – Cametá, Pará, na década de 70, onde estas desenvolveram um importante papel no processo educacional e formação de lideranças (trabalhadores e trabalhadoras) do campo.

Para melhor compreensão dos leitores neste texto buscamos historicizar a chegada da FASE como órgão educacional no Brasil; interpretando as relações da FASE com o movimento da igreja católica para sua constituição e luta por uma Educação Popular na Amazônia Tocantina, buscando compreender e entender, através dos corpus documentais da FASE e narrativas oralizadas por homens e mulheres, nossos colaboradores (as) na construção deste estudo científico, partindo de um olhar político e histórico, observando atentamente o espaço das diferenças, as tendências ideológicas, as memórias evocadas e o esquecimento[1] sobre o antes e o depois da presença da FASE na Vila de Porto Grande, em Cametá – PA. Importante destacar que:

“A Educação Popular foi se enraizando na sociedade brasileira em espaços de resistência e reconstrução do tecido social; enraizou-se onde ocorreu vontade política de ensinar e aprender e nos espaços da vida dos setores populares, partindo-se da discussão e da tomada de consciência sobre seus problemas e sobre a realidade em que tais setores viviam, somando-se a isso a organização e a mobilização políticas”[2].

É pensando em espaços de resistência e na educação como alternativa necessária para a tomada de consciência do real vivido pelos trabalhadores do campo, das águas e das florestas em período ditatorial que a FASE e sua chegada no território do Baixo Tocantins, torna-se o foco central deste, na Vila de Porto Grande, município de Cametá, no Estado do Pará, região amazônica.

O texto apresentado foi organizado em uma breve apresentação geral, com a sequência de três seções: a primeira que trata do percurso teórico e metodológico para realização do estudo; seguido de um breve histórico da chegada da FASE e sua parceria com a igreja Católica na região do Baixo Tocantins, em especial na comunidade da Vila de Porto Grande e por fim um diálogo demonstrando o sentido da FASE e suas ações de e para a formação dos trabalhadores (as) amazônidas. Fechando com as conclusões do trabalho.

1. Percurso Teórico e Metodológico: O ir e vir pelas e nas memórias  

O foco deste estudo é analisar, compreender a chegada da FASE, órgão criado em 1961, que desenvolveu e desenvolve em diferentes regiões do Brasil as mais variadas atuações no campo social, de apoio e assessoria aos movimentos sociais e compreende que, “a atuação de uma sociedade democrática no Brasil só pode ser resultado de um processo coletivo”[3], desta maneira a FASE não renuncia a uma perspectiva crítica ao desenvolvimento imposto à sociedade brasileira.

Como caminho metodológico realizamos uma pesquisa ação, do qual entendemos como,

“Um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada   em   estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo”[4].

Desta forma, buscamos o tempo todo nas atividades de pesquisa romper com a posição sujeito pesquisador cientifico / acadêmico e colaboradores (as) deste estudo, ou seja, foram momentos de coletividade de troca de saberes e participativo, seja na busca de indicações de documentos oficiais ou nos diálogos presenciais com nossos narradores (as), sendo desta maneira também, uma pesquisa de abordagem qualitativa, considerando que esses métodos “privilegiam, essencialmente, a compreensão do comportamento a partir da perspectiva dos sujeitos da investigação[5]”.

Como a compreensão do método (aqui as ciências sociais e humanas) não pode se apresentar como um laboratório, onde as experiências podem se dar através de uma experimentação, a sugestão é fomentar a capacidade de nos propor, oferecer evidências das causas pesquisadas, não como um pensamento ordenado, mas pôr em xeque, procurando desordenar o já estabelecido, o já constituído socialmente, historicamente e culturalmente. Certamente, o objetivo do ato de conhecer é compreender os acontecimentos, as evidências, obviamente dotados de existência real.  

Portanto, com um olhar político e histórico, que busca compreender o entremeio, as fissuras, o não dito, sem excluir sujeitos sociais[6], que compreendemos a FASE, como um órgão de múltiplas funções. Por isso, julgamos importante a realização e utilização de um processo investigativo, a fim de compreender várias formas de atuação diante aos movimentos sociais. O que implica apresentar também uma relação com o pensamento de antagonismo desses processos sociais. Ou seja, a função de poder, em contraposição com as formas de organização de (re)existência diante deste.

O corpus de análise foi composto de documentos oficiais da FASE, disponíveis no site da Federação, imagens e narrativas orais de homens e mulheres que vivenciaram, atuaram na FASE em diferentes espaços da/na Amazônia Tocantina, mais especificamente na Vila de Porto Grande.

Nesse trilhar metodológico nos foi necessário realizar de primeira instância uma pesquisa bibliográfica em torno da temática do assunto para compreendermos as principais categorias de análise a saber, cultura, memória e Educação Popular, onde no decorrer do texto foi articulado autores (as) para percepção do uso destas categorias em nossa pesquisa, e isso “[...] implica sempre em uma revisão e em uma reflexão crítica e totalizante porque submete à análise toda interpretação pré-existente sobre o objeto de estudo[7]”.

Ao nos depararmos na construção do corpus de análise foi emergencial entendermos a importância do uso da História Oral em nossa caminhada de diálogos com os colaboradores (as), narradores (as), assim entendemos;

“A prática da História Oral como disciplina de interpretação e uso em pesquisas em educação nos permitiu fazer parte do mundo vivenciado por nossa narradora e colaboradora da pesquisa, oportunizado a essas pesquisadoras entender o funcionamento da memória e como cada sujeito social se articula para reviver lembranças, saberes experimentados em suas histórias[8]”.

A prática da História Oral muito mais que um método de pesquisa é uma disciplina, que nos conduz a interpretação das narrativas oralizadas, (re)significadas pelos colaboradores (as) do estudo, é “compromisso social, que nos oportuniza caminhos diversos para as pesquisas[9]”.

Foi com compromisso social e na busca de conhecer, aprender saberes de e sobre os impactos das ações educacionais de formação realizadas pela FASE, como um espaço formação dos trabalhadores (as) na Vila de Porto Grande, que neste estudo dialogamos com os sujeitos sociais que de forma direta ou indireta atuaram ou vivenciaram ações realizadas pela/na FASE ou em setores da sociedade que contribuíram com essas práticas de formação.

O momento de troca de saberes, que foi realizado pela técnica da gravação das entrevistas orais, que nos conduziu a prática da História Oral foi incrível, pois foram momentos de diálogo;

“Com o intuito de refletir sobre as atualizações do passado no presente, coletou-se uma série de recordações diferentes, relativas a vários momentos de vida de cada um, observando sempre que possível a reconstrução do percurso de deslocamento no ir e vir dos vários momentos da vida[10]”.

Nesse ir e vir das lembranças, das memórias e experiências de vida dos narradores (as) deste estudo, que por sinal são colaboradores (as) da construção dessa escrita, que pudemos conhecer os diferentes sentidos da FASE e suas ações em Porto Grande, bem como a importância da igreja em diversos momentos na efetivação destas atividades para um projeto de educação popular na região amazônica do Baixo Tocantins.

Importante ainda frisar a importância da ética com a prática da História Oral, e por este motivo que as entrevistas realizadas neste estudo foram gravadas com perguntas semiestruturadas, o qual antes do diálogo o tema e proposta foi apresentado aos narradores (ss), para que depois pudéssemos ser autorizados a gravar as entrevistas e uma delas realizadas a 20 anos atrás, foi ouvida e transcrita manualmente, depois digitalizada, pois naquele momento não tínhamos acesso e técnicas para saber usar a gravação na entrevista. Todos os encontros foram agendados no melhor tempo de cada colaborador (a) e local de sua preferência, bem como todos assinaram o termo de consentimento informado e a carta de cessão, para que pudéssemos fazer uso para nossos estudos e publicações científicas, sendo que a autorização da entrevista da década de 90 foi realizada pela família. Todos os narradores puderam optar por seus nomes serem divulgados ou não conforme sua preferência, processo esse necessário, haja vista que,

“Podemos ter status, mas são eles que têm as informações e, gentilmente, compartilham-nas conosco. Manter em mente esse fator significa lembrar que estamos falando, não com “fontes” – nem que estamos por ela sendo ajudados – mas com pessoas[11]”.

Nesse estudo buscamos refletir sobre essa teia formada por diferentes formas de se fazer, viver e conhecer-se no mundo, no trabalho e na educação. Entendendo que cultura e memória se (re)significam, constituem-se juntas; construindo silêncios e lembranças que sempre se transformam, criando saberes e ideologias. Nesse sentido, como pesquisadores observamos as trajetórias individuais e coletivas, sempre em busca das relações de poder, das experiências narradas com o coletivo social, uma vez que:

“É importante destacar que a oralidade possibilita uma aproximação de vertentes desconhecidas que não poderiam ser entendidas de outra forma, principalmente quando se fala sobre indivíduos e grupos que são silenciados da história e na sociedade[12]”.

Foi nesse percurso de estar, aprender e viver a experiência com o outro pela arte da escuta que construímos com nossos narradores (as) o corpus de análise composto das narrativas oralizadas pela prática da História Oral, que nos conduziram a inquietações que motivaram a compreensão da importância da categoria cultura e educação na constituição da historicidade da FASE e dos sujeitos sociais envolvidos nesse processo, buscando no ir e vir das memórias as muitas histórias, para compreensão que,

“O elo com o presente é óbvio, pois o processo de compreendê-lo tem muito em comum com o processo de compreender o passado, não obstante o fato de que compreender como o passado se converteu no presente nos ajuda a compreender o presente, e provavelmente algo do futuro[13]”.

Esse movimento da História Social para compreensão do sentido do passado no presente, e do presente para a construção de um futuro, movimenta parte de nossos objetivos neste artigo que é historicizar a chegada da FASE como órgão educacional no Brasil; interpretar as relações da FASE com o movimento da igreja católica para sua constituição e luta por uma Educação Popular na Amazônia Tocantina em especial na Vila de Porto Grande, Cametá- PA.

Neste contexto, que entendemos que,

“[...] a experiência modifica, às vezes de maneira sutil e às vezes mais radicalmente, todo o processo educacional; influencia os métodos de ensino, a seleção e o aperfeiçoamento dos mestres e o currículo, podendo até mesmo revelar pontos fracos ou omissões nas disciplinas acadêmicas tradicionais e levar à elaboração de novas áreas de estudo[14]”.

Pensando nessa articulação de cultura, memória e história de e sobre a FASE que este texto demonstra seu ineditismo, dialogando com e sobre a experiência dos trabalhadores (as) que atuaram na federação, seja como alunos e posteriormente como agentes de formação, atuando como professores que se capacitaram pelas ações educacionais da mesma.

2. Historicizando a FASE.

Muito se fala da ausência de políticas públicas, desigualdades sociais, e poucas oportunidades para os sujeitos, principalmente de regiões periféricas aos grandes centros urbanos. Ao mesmo tempo que grandes transformações sociais ocorridas nas últimas décadas (meados do século XX), trouxeram desenvolvimento em muitas regiões do Brasil afora, estas mesmas desencadearam crises e o surgimento de uma camada significativa dos considerados “excluídos da história” considerados grupos periféricos como por exemplo operários e mulheres[15], negros, quilombolas, indígenas sempre foram a maioria da sociedade. que se constituíram em diferentes movimentos sociais, como por exemplo dos trabalhadores (as), católicos, da educação como forma de resistência.

Diante disso, é urgente a necessidade de estabelecer uma prática de organização das classes de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, e no Rio de Janeiro; especificamente, um exemplo de resistência, foi a criação e fundação de um órgão, denominado de FASE.

“A FASE - Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, fundada e 1961. É uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que atua hoje em seis estados brasileiros e tem sua sede nacional no Rio de Janeiro. Desde suas origens esteve comprometida com o trabalho de organização e desenvolvimento social, comunitários e associativo[16]”.

Observa-se que a FASE no Brasil, foi criada no governo ditatorial e com sede em um dos maiores centros urbanos e mais violentos do país, que é o Rio de Janeiro, buscou e busca basear seu trabalho ligado ao associativismo e ao cooperativismo, incentivando e formando  trabalhadores (as) do campo e da cidade, no enfrentamento das garantias de direitos sociais fundamentais, sustentabilidade, mas que a partir do golpe de 1964 e de toda repressão aos movimentos e organizações sociais no Brasil; a FASE foi obrigada a redefinir o rumo da sua estrutura social vigente para (re)existir. Desde então, a resistência à ditadura e sua posição frente aos sindicatos e os movimentos comunitários passou a ser o foco principal.

“Na década de 70, apoiou o movimento de organização social que enfrentou a carestia, o trabalho infantil e as desigualdades econômicas e sociais. Teve grande presença junto ao campesinato no Norte do Brasil, junto aos trabalhadores rurais do Nordeste, aos trabalhadores da construção civil e das indústrias metalúrgicas no Sudeste e aos movimentos de associações de moradores de norte a sul do país. Formando centenas de lideranças pelo Brasil e apoiando-as em suas reivindicações, a FASE chegou aos 80 participando de todo processo que levou à anistia, à constituinte e às eleições diretas[17]”.

A FASE se constitui um órgão de grande envergadura, com atuação das mais variadas áreas, com um ponto de concentração nos movimentos sociais e na formação dos trabalhadores (as), criticando o sistema vigente.

“Neste princípio do século XXI, a FASE se lançou na atuação local, nacional e internacional com vistas a integrar redes, fóruns e plataformas, sempre visando derrotar a política neoliberal. No campo da promoção de princípios ou de produção de conhecimento, a FASE realiza convênios com órgãos públicos, monitora projetos e faz parcerias com universidades. Os resultados dessas ligações podem ser vistos em dezenas de publicações na Revista Periódica Proposta editada há mais de 35 anos e em seminários, cursos, palestras e campanhas[18]”.

A Revista Periódica conforme descrito na citação, são periódicos da FASE, que tem como objetivo divulgar as ações desenvolvidas por este órgão, criada em 1976, que reflete a sintonia entre a dinâmica interna da FASE e a luta contra as desigualdades e a vida dos sujeitos coletivos populares na sociedade brasileira.

Toda essa atividade pode ser visualizada no decorrer histórico de sua luta por uma sociedade mais justa e igualitária, defendendo e resguardando o princípio democrático, apoio aos movimentos sociais, à tão sonhada sustentabilidade socioambiental e formação de lideranças - tão necessária à prática de um embate frente ao desmando e desmonte de práticas autoritárias dos direitos fundamentais.

Desta forma fundada em 1961, a FASE é uma organização não governamental que atua na formação de trabalhadores (as), com moldes de Educação Popular, que tem como base teórica e metodológica a Pedagogia de Paulo Freire e a defesa dos direitos humanos; sem fins lucrativos, com atuação nacional e unidades regionais em seis estados: Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Pará, Pernambuco e Rio de Janeiro.

3. A FASE e sua relação com o campo e a cidade.

A estrutura do capital e a economia, fundadas em ideias e princípios liberais criam estruturas de desigualdades sociais pelo e no mundo, engessando a classe de trabalhadores (as), empurrando-as para áreas periféricas dos grandes centros urbanos, originando assim, uma fossa abissal entre ricos e pobres.

“A experiência entra sem bater à porta e anuncia mortes, crises de subsistência, guerra de trincheira, desemprego, inflação, genocídio. Pessoas estão famintas: seus sobreviventes têm novos modos de pensar em relação ao mercado. Pessoas são presas: na prisão pensam de modo diverso sobre as leis. Frente a essas experiências, velhos sistemas conceituais podem desmoronar e novas problemáticas podem insistir em impor sua presença[19]”.

Com os ensinamentos de Thompson (1981) entendemos que os ciclos são apenas etapas e que continuam como num círculo vicioso, trocam de roupagem, mas os problemas continuam os mesmos; principalmente quando se trata das experiências vivenciadas pelas classes trabalhadoras. Estudos da FASE também alertam sobre isso,

“A economia brasileira não se cansa de produzir desigualdades. Para a FASE, os espaços urbanos se materializam em função da implantação do modelo de desenvolvimento em curso no país. Os incentivos às indústrias de automóvel e de petróleo, entre outras, ocorrem em detrimento de políticas públicas justas e sustentáveis. Essa realidade demonstra que as cidades não são somente espelho, mas também um dos motores de um progresso que viola os direitos[20]”.

Ao mergulhar na historicidade da FASE, podemos perceber que de forma clara se opõe ao projeto proposto em tempos de ditadura para o país, ao apontar produção das desigualdades reforçadas pelos “motores do progresso que viola os direitos humanos”. A FASE em seu discurso público e disponível a qualquer cidadão demonstra que não compartilha das ideias capitalistas e neoliberais presentes no Brasil, criando dessa forma diferentes frentes de ações.

“Por isso, a defesa do “Direito à Cidade com Justiça Socioambiental” é uma das causas da FASE. Faz parte desse trabalho a construção de ações de enfrentamento às desigualdades sociais nas regiões metropolitanas, contribuindo para a consolidação de uma plataforma de luta por direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais. As iniciativas propostas combinam estratégias de atuação nacional, regional e local, incidindo concretamente na qualidade de vida das populações[21]”.

Outra temática, não menos relevante é a sistemática crise climática, ambiental e social porque passa o mundo, merecedora de um olhar especial, torna-se imprescindível, nas ações da FASE, sendo pauta de discussão e de luta como a defesa pelo direito de uma cidade e um campo ambientalmente justos, visando a qualidade de vida das populações.

Também, a meio a todos os discursos das ações da FASE descritas em seu site, um dos que chama atenção é a ideia de que a população, através de organizações deva apropriar-se de espaços públicos para atender às demandas de comunidade e sujeitos excluídos das políticas públicas essenciais para o lazer e socialização desses mesmos sujeitos.

“A FASE chama a atenção para o fato de o direito à cidade se estender para além do acesso a essas políticas públicas: inclui necessariamente a possibilidade de se pensar alternativas e de se apropriar dos espaços urbanos, ampliando a democracia. As decisões sobre os rumos das cidades devem ser tomadas a partir da participação popular. Desenvolver e difundir metodologias, estudos e indicadores de monitoramento e controle social fazem parte desse trabalho[22]”.

A questão de gestão e política da FASE, está muito conectada gestão democrática defendida por Paulo Freire, e principalmente ao que tange à educação pois devemos “construir uma plataforma comum de lutas que aponte para uma nova escola, gratuita autônoma e democrática[23]”, e desta maneira podemos ser conduzidos a pensar na importância dos orçamentos participativos nos projetos das cidades, como uso comum e democrático e que perpassa por participação e decisão popular.

Desde a criação da FASE, a mesma se propõe a enfrentar a temáticas do campo e da cidade e neste contexto é necessário compreendermos que,

“O campo passou a ser associado a uma forma natural de vida – de paz, inocência e virtude simples. A cidade associou-se à ideia de centro de realizações – de saber, comunicações, luz. Também se constelaram poderosas associações negativas: a cidade como lugar de barulho, mundanidade e ambição; o campo como lugar de atraso, ignorância e limitação. O contraste entre campo e cidade, enquanto formas de vida fundamentais, remonta à Antiguidade clássica[24]”.

Essa discussão entre o conceito de campo e cidade se faz importante para que possamos compreender os movimentos sociais dos trabalhadores; pois há um discurso fundador, um imaginário coletivo que se constitui desde tempos remotos de e sobre as sociedades do campo e da cidade, fazendo comparações negativas e determinando muitas vezes culturas tradicionais como atraso, desqualificando formas de ser e viver e mantendo assim, dentro da colonialidade o colonialismo latente[25].

Desta maneira que ao pensarmos nas ações da FASE, no que tange a educação para formação dos trabalhadores do campo e da cidade é necessário avançar as barreiras de um projeto envolvente que define o saber como único, especialmente quando se trata da região amazônica do Baixo Tocantins no Pará, bem como,

“É significativo que a imagem comum do campo seja agora uma imagem do passado, e a imagem comum da cidade, uma imagem do futuro. Se as isolarmos deste modo, fica faltando o presente. (...) Assim, num presente vivenciado enquanto tensão, usamos o contraste entre campo e cidade para ratificar uma divisão e um conflito de impulsos ainda não resolvidos, que talvez fosse melhor encarar em seus próprios termos”[26].

É neste conflito de categorias e projetos ideológicos em torno de campo e cidade, que as ações educacionais, projetos de formação de lideranças em regiões como a Amazônia brasileira se faz importante para que possamos pensar em um projeto de educação democrática, diferenciada para os trabalhadores(as) dessas regiões dos campos, das águas e das florestas.

Neste trilhar que com a passar do tempo, devido às mudanças e transformações na sociedade, a FASE foi se modificando e se adequando para atender às mais diversas exigências destes tempos atuais; uma delas é o debate sobre o campo, povos tradicionais e sujeitos da Amazônia. Em documentos de periódicos da FASE, podemos ler o seguinte:

“Ter acesso a um meio ambiente saudável é um direito universal. Embora seja bastante difundida a ideia de que a crise ambiental é global, generalizada, e que todos estariam igualmente sujeitos aos seus efeitos nocivos, os impactos ambientais não são democráticos[27]”.  

O discurso da FASE frente as questões ambientais são presentes em seus documentos e informações da federação no site, desde a sua origem no Brasil, sempre vinculado a questão da diferença, ao reforçar que “os impactos ambientais não são democráticos” e assim nos confirmando que “falar, por exemplo, em democracia e silenciar o povo é uma farsa[28]”. A FASE, como citado anteriormente, desenvolve atividades em sete estados do Brasil, inclusive o Pará, com o nome de FASE Amazônia; com sede em Belém, atua também na Região do Baixo Tocantins, nos munícipios de Abaetetuba e Barcarena na década de 70, à saber, atuou no município de Cametá, especificamente na Vila de Porto Grande, lócus de nossa pesquisa.

O Estado do Pará, por ter e abrigar as maiores reservas de minerais do planeta, também abriga grandes empresas multinacionais; nestas aéreas, com suas atividades agressivas, causam damos ambientais graves e até mesmo irreversíveis. Atualmente, outra atividade é a do Agronegócio, que se estabeleceu à margem direita do Rio Tocantins, nos seguintes municípios: Mocajuba, Baio, Cametá, Igarapé Miri, Tailândia, Moju.  

Além dos projetos na área da mineração, um que merece notório destaque é a construção da Hidrelétrica de Tucuruí, impactando comunidades tradicionais, ribeirinhas, indígenas que teve início ne década de 70 e finalizada nos anos 80. Essa trouxe irremediáveis consequências, tanto na flora quanto na fauna, causando impactos para todos, mas em especial para os povos tradicionais, como por exemplo a comunidade indígena Assurini do Trocará.

A construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí causou grande impacto pela ação humana aos povos tradicionais e originários desta região do Baixo Tocantins.

“A decomposição da vegetação deixada no reservatório cria água atóxica e produz metano e fornece condições para a metilização do mercúrio. Os desfolhantes foram considerados por remover a floresta na área de submersão, mas os planos foram abortados no meio de uma controvérsia pública[29]”.

Citamos a questão da Usina Hidrelétrica de Tucuruí neste estudo, somente para que possamos exemplificar os ataques ao meio ambiente e a importância de uma educação ambiental, de formação dos sujeitos na contemporaneidade, principalmente das comunidades tradicionais que tem na natureza seu maior bem viver.

A região do Baixo Tocantins, região amazônica no Estado do Pará sofreu e vem sofrendo impactos agressivos frente a projetos neoliberais, que em nome da “ordem e do progresso” avançam as barreiras destruindo a natureza e as formas de viver e ser de comunidades que dela cuidam. Documentos da FASE, nos reporta a fatos como este,

“A poluição e os riscos ao meio ambiente provocados pelas indústrias, pela mineração, pela atividade petroleira e pelo agronegócio, entre outros, não atingem a sociedade de maneira uniforme. O modelo atual de desenvolvimento, baseado no crescimento ilimitado, só se viabiliza porque distribui de forma desigual seus impactos negativos entre grupos historicamente vulnerabilizados[30]”.

Quando se trata das comunidades tradicionais, fica claro e evidente os efeitos desses impactos, que são brutais, pois além dos sujeitos sofrerem com desmandos governamentais, estão no epicentro do caso, visto que suas áreas, por lei protegidas, são atacadas e subtraídas por esses grandes projetos, engendrados pelo capital, fortalecendo “comparações abstratas” entre a “virtude rural” e a “ganância urbana[31]”, colocando em paradigmas categorias como cultura e sociedade, e esquecendo-se que:

“A ‘natureza’ possui uma continuidade nominal, por muitos séculos, mas pode ser vista, pela análise, como complexa e em mudança, à medida que outras ideias e experiências se modificaram. Eu já tentei analisar algumas ideias semelhantes crítica e historicamente. Entre elas estavam a cultura, a sociedade, o indivíduo, a arte e a tragédia. Mas devo dizer desde já que, embora essas ideias sejam difíceis, a de natureza faz com pareçam relativamente simples[32]”.

Ao articularmos categorias como cultura e sociedade, não podemos desvincular-se da educação e de projetos que avancem um olhar “contracolonial[33]”, onde os sujeitos façam parte desse processo como participantes ativos e permanentes e em especial à natureza que os cercam. Em narrativas escritas e estudos da FASE, podemos observar quem são esses sujeitos impactados direta ou indiretamente pela implantação/imposição desses grandes projetos.  

Nos textos narrativos da FASE, é notório a denúncia e preocupação dos impactos dos empreendimentos que vem sendo instalados nos territórios das comunidades tradicionais, realidade que vem provocando fortes impactos na relação campo e cidade, e neste contexto que “A atuação da FASE se dá através de denúncias e colaborações para o fortalecimento de alternativas, desenvolvendo estratégias de articulação entre a sociedade civil, integrando redes e fóruns[34]”. E o fortalecimento dos trabalhadores (as) do campo se dá por um projeto de educação além dos espaços escolares, mas sim dentro das comunidades, na igreja para formação dos trabalhadores (as) e de lideranças nas diferentes frentes de ações, seja saúde, educação, práticas agrícolas e ou formas diretas de lidar e viver e natureza.

4.1. A FASE e sua relação com a Igreja na região amazônica do Baixo Tocantins.

A cidade de Cametá, região do Baixo Tocantins se estende por 3.082,190km² e em 2022 possuía 134.184 habitantes[35]; e uma formação socioespacial própria em duas dinâmicas distintas: ocupação por terra firme e região das ilhas ou áreas de várzeas[36].  O cotidiano no mundo das águas da microrregião de Cametá, mais conhecida como Baixo Tocantins, é organizado pelos rios Moju, Pará e o Tocantins. Sete municípios compõem a região: Abaetetuba, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajuru, Cametá, Mocajuba, Baião e Oeiras do Pará.

Por volta dos anos 60, os movimentos sociais, políticos e religiosos no Brasil estavam em constante atuação, como por exemplo atuando com a formação de lideranças como propagadores dos ideais da igreja. As Comunidades Eclesiais de Base - CEBs e Comunidades Cristãs – CCs; organizadas pela igreja católica, contribuíram para esta nova forma de perceber, entender e compreender as questões sociais. A partir do ano de 1969, ainda sob a efervescência do Conselho do Vaticano II[37] , a Igreja Católica de Cametá se voltou para a criação de comunidades cristãs, como o objetivo de dar um novo direcionamento às atividades pastorais[38].

Neste período a igreja passa por um momento de “renovação”, especialmente no município de Cametá, e a chegada dos padres Lazaristas estabeleceram nova dinâmica do modo de ser igreja. Frencken[39] descreve em sua obra que a grande força da evangelização está na catequese infanto-juvenil e sua organização, a princípio a cargo dos padres que incentivaram os professores a darem aulas de religião e organizar primeiras comunhões. De fato, na Vila de Porto Grande em Cametá-PA, essa prática foi muito constante na década de 70, o qual os sujeitos foram catequizados pelas mesmas professoras que lecionavam as suas aulas no espaço escolar.

“Sem ter medo para exageros, podemos afirmar que devemos todo trabalho catequético por quase 100% à mulher, muitas vezes analfabeta e sem conhecimento nestes interiores. Começamos a fundar pequenos centros catequéticos nos lugares mais distantes, apoiando-nos nas mulheres. Nos lugares visitados com mais regularidade pelos padres e onde havia uma pequena escolinha paroquial, isto era mais fácil: encontrávamos mocas ou senhoras de mais idade que sabiam ler e escrever um pouco e que podiam tornar-se catequistas. Elas juntavam as crianças e jovens aos domingos a fim de dar aulas de catecismo. [...].  perguntando aos pais das crianças o que achavam do catecismo para os seus filhos, escutei muitas vezes a seguinte resposta.: ‘Padre, nossos filhos nos contam o que aprendem no catecismo e agora nós achamos que também devemos frequentar estas aulas’. Após terem participado da primeira Comunhão, era fácil levar as crianças a frequentarem também encontros da Cruzada Eucarística[40]”.

O discurso apresentado nos demonstra como a igreja católica direcionava suas ações de catequização dos sujeitos, e em especial com foco inicial nas crianças, por estarem em processo de formação identitária e ideológica, expandir o “rebanho” sempre foi estratégia da igreja desde tempos de colonização do Brasil, contudo diferente de tempos coloniais, onde os jesuítas eram os evangelizadores / educadores, neste momento a igreja estrategicamente utiliza-se das mulheres, que mesmo sendo consideradas analfabetas e por eles sem conhecimento,  assumem a função dada/ pela igreja e desta maneira ao mesmo tempo que catequizam, encontram formas de também direcionar as crianças e os adultos a participarem ativamente das atividades da igreja.

Com o Concilio Vaticano II de 1965, que aconteceu em Roma, há a construção de um novo projeto de formação aos e de renovação ideológica; observemos a narrativa de Dom Aloisio Lorscheider;

“Quando chegamos lá, nós – eu pelo memos, mas percebia isso nos outros também – não sabíamos bem o que ia acontecer. O que mais se esperava era uma espécie e releitura do Vaticano II para a América Latina. Isso era essencial. Então criaram aquele título de “A Igreja na transformação da América Latina”. Com isto fomos descobrindo aquilo que chamamos de “submundo” [...] Foram introduzidas na reflexão as categorias de “colonialismo externo” e ‘colonialismo interno’, sendo que a primeira expressão se referia às forças que vêm de fora, e a segunda, àqueles empresários ricos da América Latina que procuravam explorar, a força de trabalho do operariado. Penso que foi por aí que nasceu a “opção pelos pobres” [...] Eu acho que Medelín está muito marcado pela palavra “libertação”. Depois se avançou para a ideia de melhor organização dos pobres, participando, eles mesmos, do processo da “libertação”. [...] Todo mundo estava de acordo. “Temos que fazer alguma coisa!” É nesse mérito que entram as CEBs, porque Medelín se fala em pequenas eclesiais, em CEBs. Era um meio de fazer as pessoas participarem. Portanto, a ideia de tornar sujeitos ativos de sua libertação[41]”.

Foi no Concílio Vaticano II, que a atuação e ideologia cristã, vivida e agenciada pela igreja católica principalmente frente a vida dos trabalhadores (as) no que denominavam de “submundo” é repensada, pelo próprio enfrentamento do colonialismo que permanecia e permanece, seja pelo mundo externo ou interno, em outras palavras pelo avanço da exploração dos territórios pelas grandes potências mundiais e dos empresários da própria América Latina;  é nesta mesma década (anos 60) que  inúmeros movimentos de repensar a igreja, aconteceram mundo afora, com  um olhar especial  para a América Latina, como é caso de Medellin (1968).

Nos anos 60, a América Latina, passa por um período de tensionamento político e socialmente conturbada. Muitos países são vítimas e enfrentam perturbações decorrentes de golpes e implantação de regimes militares, acentuando e aumentando a fossa abissal das desigualdades, como o flagelo da pobreza. É neste contexto que acontece a Conferência de Medelin[42]  em 1968 acontece na esteira da realização do Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, com o objetivo de renovar o pensamento da Igreja Católica, com claro intuito de uma maior aproximação com o mundo moderno e Medellín (1968), tinha a função de difundir e aplicar os ensinamentos resultantes do Concílio.

A nova ideologia  de ser igreja e sua atuação impulsionada pela efervescência das CEBs, nos conduz a pensar no projeto de Educação Popular, desempenhado pela Igreja Católica na extensão de sua área territorial, principalmente, no contexto do município de Cametá[43], bem como no papel das CCs,  e da  FASE, que por meio destes, desenvolveram um trabalho voltado às questões sociais, de trabalhadores(as), rurais e ribeirinhos, mulheres, jovens e adultos, em especial no aspecto educacional, como nos remete o discurso e a memória do articulador da comunidade; o senhor Cecilio, que suas palavras, diz:

“Na década de 60, a igreja realizava suas práticas juntamente com os movimentos sociais, formação de lideranças., A gente vivia em constante trabalho de formação. Principalmente no Seminário, na cidade de Cametá. Eram muitas comunidades e o pessoal que ministravam, era muito pouco. Foi então de a igreja entrou em parceria com a FASE, para ajudar na formação de trabalhadores (as)[44]”.

O senhor Cecilio um dos ativistas, agricultor, amazônida, homem das águas, das florestas e de luta, atuante da comunidade, faleceu aos 85 anos, em 2009. Além de liderança da comunidade, atuou como colaborador da FASE. Era o agente que realizava as compras originárias dos recursos deste órgão para as atividades do grupo. À época da atuação da FASE, tinha 50 anos de idade. Nasceu na Ilha de Praticaia, município de Cametá, onde constituiu família e residiu lá, até 1968, quando se mudou para o Sitio Caxinguba, próximo à Vila de Porto Grande onde, junto da família, dedicou grande parte da vida aos trabalhos comunitários, pois acreditava numa sociedade com valores calcados no bem comum e na melhoria e qualidade de vida de toda a comunidade. Em nosso diálogo, no momento da entrevista, traz claramente as lembranças da chegada da FASE em Cametá, e sua relação com a igreja católica, pois mesmo antes da entrada da federação no município a igreja já atuava com os movimentos sociais, de trabalhadores (as) para formação das lideranças, mas com pouco professores/formadores, momento este que a FASE se faz fundamental na parceria, ampliando os cursos e projetos educacionais, porém;

“Quando os padres Lazaristas chegaram à Região Tocantina, um dos maiores problemas que encontraram era a quase total falta de educação escolar. Vemos um esforço enorme dos padres em conseguir as Filhas da Caridade, em todas as cidades, a fim de que elas instalassem um ensino de qualidade, inicialmente para crianças de primeiro grau e mais tarde, como em Cametá, para os jovens, a fim de que estes pudessem cursar o segundo grau, especialmente para a formação de professores do primário. O Estado estava praticamente ausente na área da educação[45]”.

Observa-se na citação dados importantes para compreensão da atuação da igreja na região do Baixo Tocantins, uma delas é a presença das denominadas Filhas da Caridade, em Cametá – PA desde 1842 e sua ausência, nos demais município da região amazônica Tocantina. As Filhas da Caridade, são mulheres, irmãs católicas que se dedicam a fé, mas também pela caridade e prestação de serviços aos pobres, em uma perspectiva de São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marilac, sempre atuaram em ações como educação, saúde e outros serviços sociais. Porém, na região Tocantina essa atuação foi muito necessária, pois essas mulheres / irmãs de caridade acabam sendo cruciais para a educação escolar e formação de primeiro a segundo grau das crianças e jovens nessa região, e com a chegada dos padres Lazaristas, que também tem como missão de servir aos pobres e necessitados, há uma grande preocupação em aumentar a atuação educacional pela/na igreja.

Um dos acontecimentos de destaque na região do Baixo Tocantins foi a resistência dos padres Tiago Poels e Geraldo Paridaen frente aos políticos, defendendo trabalhadores (as) de várias localidades e uma das ações foi a criação da Comissão Pastoral da Terra- C.P.T. local, composta por especialistas nas áreas do direito, da agronomia e da educação.

“Diz que veio trabalhar na Prelazia a convite do Padre Henrique que era o administrador Apostólico da Prelazia de Cametá. Informa que trabalhou junto com o padre Geraldo (Geraldinho), padre Joãozinho e padre Tiago, que todos eles eram interessados em incentivar uma outra agricultura de subsistência para os trabalhadores rurais que já não podiam viver somente do cultivo da farinha de mandioca devido as terras já apresentarem desgastes para o plantio em consequência dos desmatamentos. Conta que o padre Geraldinho construiu 30 mil pés de pimenta do reino com objetivo de sustentar os trabalhos na área social, como forma de partilha dos bens incentivando o fortalecimento da organização dos trabalhadores rurais[46]”.

Estes projetos estão, pois, associados, a uma percepção de formação vinculada a uma perspectiva transformadora da sociedade associada ao trabalho e a organização sindical. Ao verificar a situação difícil da população com o aumento inflacionário dos gêneros de primeira necessidade, tornou-se indispensável aos trabalhadores (as) rurais se organizarem em torno de alguns projetos, como os plantios de pimenta do reino, guaraná, cacau, café e plantação consorciada estimuladas pela igreja. Estes projetos serviam, portanto, como instrumentos de aglutinação desses trabalhadores (as) rurais.

4.2 FASE na Vila de Porto Grande – Cametá/ PA.

Porto Grande é uma Vila no município de Cametá, Estado do Pará, tem sua fundação em 1960. A história de seu nome é uma controvérsia, visto que seu porto está localizado às margens de um pequeno braço do rio Guajará, denominado Ajará; ou seja, “Porto Grande”, não tem relação de seu nome com o seu porto; mas sim, deve-se a grande movimentação comercial de produtos agrícolas e extrativistas, resultante das atividades de seus trabalhadores(as), ribeirinhos(as), oriundos de áreas próximas, que eram embarcadas no mesmo.

“Desse porto que deu origem ao nome próprio desta localidade de “Porto Grande”, que fica à margem do Rio Ajará, que passa pelo Rio Guajará afluente do Rio Tocantins, tendo seguintes limotes: Ao Norte, com o Distrito de Carapajó, tendo seu ponto inicial no Rio Tocantins; a Nordeste e a leste, com o município de Igarapé Miri, uma reta da cabeceira do igarapé Caxinguba Miri; a sudeste e sul, com o Distrito de Moiraba, acompanhado o curso do igarapé Meratauá[47]”.

Porto Grande cresceu e se desenvolveu com uma corrente migratória de famílias oriundas de várias localidades e do centro (terra firme) e das áreas das ilhas. Na esteira desses desdobramentos, especificamente na Vila cametaense de Porto Grande, neste município de Cametá, a FASE, desenvolveu e desempenhou papel importante na formação de caráter associativista e cooperativista, social, agricultura, saúde e sobretudo na área educacional. Neste aspecto, além dos cursos de formação, foi implementada uma biblioteca com volumes adquiridos com recursos deste órgão e na referida tarefa de utilização dos mesmos no trabalho de formação, que podemos observar o seguinte discurso,

“Para a Prelazia, a conscientização das gentes de suas bases não se daria tão somente através da educação formal ou informal, religiosa ou não. Dessa maneira, inúmeros projetos, dentro da área prelatícia, estavam voltados para o manejo com a terra, para a área da saúde (alternativa ou não). Para a piscicultura, para a agricultura[48]”.

Como apontado pelos autores a atuação da Prelazia de Cametá foi além da educação formal (que ocorre no espaço escolar) ou informal (que se dá pelos diferentes espaços da sociedade), preocupou-se também com a formação, capacitação profissional dos trabalhadores (as) do campo, das florestas e das águas. É importante salientar que o processo educacional é intencional, ou seja, se dá nas relações entre sujeitos, estejam eles onde estiverem, falamos de educações, que funcionam pelo formal e não formal, nos espaços escolares e não escolares, mas que de diversas formas afetam os sujeitos; entrelaçada com as experiências de vida, formas de se fazer e significar pelo e no trabalho, de fazer cultura e resistir em seus territórios, ou seja que se dá pelas educações[49].

Para compreendermos esse movimento pela educação, é importante rememorar que na década de 70, ainda período ditatorial no Brasil o Pará estava sob o governo de Fernando Guilhon, que foi o primeiro governador escolhido por voto indireto desde a instauração do Regime Militar de 1964 e neste sentido o acesso à formação e informação em regiões como o Baixo Tocantins era precária.

“Em 1975, chegou a Porto Grande uma entidade que trabalhava em alguns setores, como saúde, educação e agricultura, que falava da nossa realidade e buscava nossa conscientização. Essa entidade era conhecida como Federação de Assistência Social e educacional, a FASE e seus representantes cada um de um setor, como o Sr. Antônio, cuidava da saúde, o Sr. Messias, agricultura e a Dona Célia, da Assistência Social e Educacional. Eles se reuniam dia a dia, incentivando em todos os setores, principalmente na agricultura. Eles trabalhavam de acordo com a Prelazia de Cametá, mas com a de D. Jose Elias como Bispo da Prelazia, este observou que seguiam outras linhas de pensamento, tinham diferentes ideais e que não seguiam a mesma fé católica[50]”.

Com a narrativa das memórias descritas é demonstrado claramente que em meados da década de 70 a FASE em parceria com a Prelazia avançava nas ações de formação dos trabalhadores (as) e fomento de projetos na Vila de Porto Grande.

A Vila de Porto Grande tem grande aptidão na agricultura, fonte de quase toda sua riqueza, muito bem ranqueada no município de Cametá na produção de pimenta do reino, farinha de mandioca e seus derivados. Na área extrativista, apresenta expressivo mercado de madeira (retiradas das matas circunvizinhas), madeiras essas que servem para construção de casas, pontes, estacas para o plantio de pimenta do reino, tanto em área de terra firme, quanto de áreas ribeirinhas.

Na década de 60 e 70 na vila de Porto Grande foi dado início à criação da primeira escola desta localidade sob a responsabilidade da professora Benedita do Carmo Cruz Barbosa, conhecida como Professora Odete, que além de professora, figura reconhecidamente importante para o desenvolvimento do povoado, exerceu e exerce grande influência nos meios sociais, políticos e religiosos. Foi uma das primeiras parteiras leigas; e com a chegada da FASE e das ações da igreja nesta localidade, recebeu, junto com Dona Maria Rita Estumano do Carmo, formação de parteira.

“Na década de 60, a assistência à saúde era atrasada e precária, por isso, nós só nos tratávamos com os curandeiros, parteiras, benzedeiros e benzedeiras, nos casos das dores, febres, tanto adultos como de crianças, todos eram tratados com esses personagens que ensinavam as plantas caseiras medicinais do mato, preparando chá, xarope, remédio para massagem[51]”.

Na narrativa de Barbosa (Professora Odete) traz em sua obra memórias que demonstram a fragilidade e a falta de políticas públicas para a saúde dos trabalhadores (as) da região, reforça a importância dos saberes tradicionais da cultura dos povos amazônicos para o seu melhor cuidar, como as práticas de cura, bem como os saberes estes vinculados às sociedades tradicionais da região, a saber, quilombolas, indígenas, ribeirinhos e trabalhadores (as) das florestas e das águas que pelo/na natureza possuem práticas culturais que (re) existem até o tempo presente através do ato de ensinar / aprender com outro, seja pela oralidade, pelo observar, pelo viver.

A FASE também atuou na formação e orientação de agricultores, manejo de solo, tratos culturais, controle de pragas e técnicas de uso de adubos e defensivos agrícolas, podemos elencar algumas das atividades agrícolas por esta orientada, como pimenta do reino, do algodão[52]. Outras orientações também foram repassadas, a saber, técnicas agropecuárias, orientação sobre diversos tipos de cultura, o valor nutritivo dos alimentos, a situação do mercado, as implicações do financiamento bancário, a respeito dos direitos do posseiro[53] 

Em parceria com os agricultores, a FASE intensificou o combate às pragas como: formigas cortadeiras (saúva), que destruíam as plantações, causando prejuízos e ao mesmo tempo, destacava os impactos ambientais oriundos desta prática, pois o uso e o manejo incorretos ocasionaram danos, a saúde dos trabalhadores (as) e ao meio ambiente, a saber degradação do solo e áreas de igarapés. Outra campanha realizada pela FASE foi a de obtenção de documentos pessoais, filtros de purificação de água e poços artesianos, vejamos:

“Nas comunidades, a equipe orientava o povo para descobrir as causas de doenças e como evitá-las, promovendo campanhas para o uso de água filtrada ou fervida, construção de sanitários, plantio de hortas, valorizando os remédios caseiros e prestando primeiros socorros[54]”.

Sob a orientação da FASE, na localidade de Porto Grande, foram criados e organizados grupos de homens, mulheres e jovens, que ao longo dos primeiros anos da década de 70, receberam formação nas práticas de técnicas para agricultura, formação de parteiras, grupo de estudos para jovens e adultos.

“Seguíamos o método Paulo Freire: os cursos sempre partiam de questionamentos, devendo todos construir respostas em grupo. Aprendia-se a julgar, ser justo, consciente de suas responsabilidades em relação à sua própria história. Aprendia-se a dar nomes ao seu próprio mundo, formular pensamentos próprios. Nós, padres descobrimos a riqueza deste povo, dando início ao nosso próprio curso; aprender a escutar[55]”.

Observa-se que a prática da transmissão e troca de conhecimentos estava pautada nos exemplos de Paulo Freire, oportunizando a compreensão que a arte da escuta “significa a disponibilidade permanente por parte do sujeito que escuta para a abertura à fala do outro, ao gesto do outro, às diferenças do outro[56]”, as ações educacionais e de formação da  FASE trazia em seu centro a dialogicidade, o respeito as experiências de vida e não um projeto de educação e formação pronto que servisse apenas aos ideais capitalistas e ou de qualquer outro grupo, a FASE tinha como foco fortalecer os trabalhadores (as) pelo e no seu cotidiano, da forma que estes optaram para seu viver. Desta maneira as ações da FASE para educação é mais que um método, é uma prática social e política, é um compromisso com sujeitos trabalhadores (as) desta região amazônica; neste sentido, foram criados grupos de homens e mulheres, assim dispostos.  

“O primeiro era composto de 15 homens que cuidava de plantio de pimenta do reino. O grupo recebia orientações desde como preparar a terra para o plantio, cavar os buracos, levantar e amarrar as estacas, adubar e capinar. O grupo também era orientado na venda: para quem vender, quanto e por quanto deveria vender, pois não queríamos que alguém vendesse separado do bolo (grupo), e sim que vendêssemos todos juntos o produto; O outro grupo era composto de 12 mulheres, que cuidavam da roça com o plantio de mandioca, milho e arroz, e preparavam carvão em caieira. Os resultados das mulheres eram por nossa conta, pois todas conheciam o serviço da roca. O que se produzia, se colhia e se vendia era repartido e partes iguais[57]”.  

A narrativa nos demonstra que a educação, formação dos trabalhadores (as) se dava desde a produção, cuidar do plantio a venda deste, sem atravessadores, tendo como foco uma educação do/para o campo numa perspectiva coletiva fora dos padrões estabelecidos pelo sistema vigente, pois:

“A FASE trouxe coisa novas para a vila o Povoado de Porto Grande. Antes a gente conhecia pouco. Era muito difícil a gente viajar, mandar nossos filhos estudar fora da vila. A gente conhecia o básico do dia a dia. Nos cursos a gente aprendia sobre o sistema, a política até de cultura. Aprendemos a conhecer e buscar pelos nossos direitos. A gente lutava mesmo. Por isso acredito que a FASE foi muito importante para todos nós. Por exemplo. Até hoje vemos que existe uma boa forma de organização deste povo. Isso ficou guardado na nossa mente e na nossa história[58]”.

Cecílio em suas memórias faz questão de trazer em seu discurso o sentido da FASE para a formação dos trabalhadores (as) dessa comunidade, que desprovidos de políticas educacionais e sem condições de ficarem enviando seus filhos para estudar em outras localidades, muitas vezes tinham apenas a formação básica. Com a presença da FASE para nosso narrador muito mais que formar para os conhecimentos do ler e escrever, a FASE formava lideranças, sujeitos críticos para compreender as formas de dominação e lutarem pelos seus direitos.

A FASE se envolvia em diferentes formas no processo de construção de conhecimentos, além de técnicas agrícolas e da saúde, buscava também caminhos outros como a leitura.

“Outra campanha de importante envergadura, assim como todas, foi a dos livros. Os professores diziam os livros que a gente precisava ler. A FASE nos repassava o dinheiro e a gente ia em Belém compar. Os livros ficavam numa sala atrás da igreja e todas as pessoas podiam ler e até emprestar. Acho mui importante isso, porque influenciou a juventude a até nós, os mais velhos a ler e aprender um pouco mais[59]”.

Senhor Samuel demonstra ao navegar por suas memórias o quanto além de técnicas; a FASE também buscava uma formação mais ampla e de maior acesso, pois “os professores diziam os livros que a gente precisava ler, indicavam leituras e financiavam a compra dos livros que “ficavam numa sala atrás da igreja e todas as pessoas podiam ler e até emprestar”, é evidente partindo das memórias de nossos colaboradores (as), que a presença da FASE se sucedeu com uma parceria da Igreja Católica.

O que era no início uma parceria de projetos ideológicos entre igreja e FASE entram em confronto, com interesses distintos, como se vê na postura de D. Elias Chaves, na época Bispo da Prelazia de Cametá. Nas décadas de 80 e 90, a própria Prelazia, sob sua administração oportunizou às comunidades e suas bases um modelo de educação, também pautado nas ideias de Paulo Freire, mais especificamente em sua obra Pedagogia do Oprimido[60], visando possibilitar, principalmente às gentes de sua CCs, uma educação de cunho libertadora; contudo com o falecimento do bispo na década de 90 esses projetos e ações da igreja na região do Baixo Tocantins perdem o foco pela Prelazia[61].

Apesar do importante trabalho de práticas de formação de lideranças desenvolvidas e gerenciadas pela FASE, há um incomodo por parte da igreja com alguns membros da instituição que foram acusados de cooptar lideranças e divulgar discurso que contrariava os preceitos da Igreja. Desta maneira na década de 80, o bispo anuncia o rompimento da parceria com a FASE, como nos lembra o senhor Edir Gonçalves Pinheiro.  

“A FASE não rompeu, foi a própria igreja que rompeu com a ela. O motivo alegado que eu sei, foi que na entidade tinha diversos tipos de dessas pessoas que vinham trabalhar e algumas delas conviveram bem com os padres e teve outras que conviveram diferente. Então a alegação da igreja para romper, quando o bispo chegou (e aí colocaram a culpa no Jose Elias, porque ele estava chegando), mas na verdade ele só assinou aquilo o que os padres já tinham discutido e aí o bispo assinou porque os rumos que faziam parte da FASE começaram a cooptar as lideranças que eram da igreja, aí entrou em contradição. Em vez de trabalharem em harmonia, né, alguns agentes, e não coloco a culpa em todos, começaram a falar mal da igreja e começaram a jogar os próprios comunitários contra a igreja, aí uns não aceitaram e foram comunicar para os padres o que estava acontecendo e aí foi esse o motivo do rompimento[62]”.

A narrativa do senhor Edir demonstra o conflito entre a FASE e a igreja, tornando-se a FASE e outras organizações, como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, movimentos considerados de ameaça constante ao desiquilíbrio dos interesses da igreja.

Em nota do “Jornal O Liberal” sobre o rompimento entre a Igreja Católica e a FASE, datado em 01 de novembro de 1980, traz em seu texto o discurso que descreve o rompimento da igreja com a FASE, que se deu na gestão de D. José Elias Chaves, que fez questão de afirmar que “a Prelazia de Cametá é igreja viva, a serviço do Evangelho e do povo”, mas que “a FASE tem se apresentado contrária aos critérios do Evangelho aos nossos interesses da evangelização”. A igreja alega que a FASE e seus membros questionavam ou não atendiam os interesses de catequizar, ou seja, de “colonizar” os sujeitos conforme os princípios cristãos e ideológicos desta instituição. O bispo argumenta que com passar do tempo a forma de ensinar/catequizar da FASE é desvirtuada e não atende desta maneira os interesses da fé cristã e assim há o rompimento com a igreja católica. Observamos que mesmo a igreja sendo fundamental no processo de formação dos trabalhadores pelas parcerias com a FASE na região do Baixo Tocantins, as ações deveriam atender aos seus interesses ideológicos católicos, o de evangelizar.

Conclusões

Na finalização deste artigo podemos dizer que historicizar a presença da FASE na Vila de Porto Grande e sua parceria com a igreja Católica Apostólica Romana, em especial com os padres Lazaristas, é entender o sentido e importância destas duas instituições para a formação dos trabalhadores (as) do campo, da floresta e das águas da região amazônica em especial no Baixo Tocantins em tempos de ditadura e de projetos governamentais que buscavam de formas perversas a “ordem e progresso” do capital e das classes dominantes.

As ações da FASE em parceria com a Prelazia de Cametá – Pará, influenciou o modo de viver e resistir dos sujeitos da Vila de Porto Grande, seja nos aspectos sociais, culturais, na saúde, na agricultura, economia e principalmente no campo da educação, que como sempre era um dos focos de grande interesse para o controle e domínio das sociedades e no caso do Baixo Tocantins, seria pela não oferta ou oportunidade de acesso de forma igualitária.

Importante salientarmos que o debate e a discussão da historicidade da presença da FASE na região do Baixo Tocantins, especialmente na vila Cametaense de Porto Grande, na década de 70, nos possibilita conhecer essa entidade e entender o importante papel deste órgão, quer no fomento de projetos, quer seja na formação de trabalhadores (as) para a defesa de uma educação pautada pelos saberes e cultura dos sujeitos, pelo diálogo e atuação com as lideranças.

Foi pelas e com as memórias de trabalhadores (as), nas experiências vividas com nossos colaboradores (as) pela prática de pesquisa e da História Oral; bem como as informações de obras memorialistas  e do site oficial da FASE que nos foi possibilitado socializar com os leitores(as) a percepção que a FASE é uma entidade que desenvolveu trabalhos em vários estados brasileiros e, portanto, e entre estas a região amazônica do Baixo Tocantins e especificamente a Vila de Porto Grande, município de Cametá, no Estado do Pará, demonstrando  que esta Federação contribuiu para/no desenvolvimento da Vila de Porto Grande, na Região do Baixo Tocantins, partindo de uma reflexão pautada na concepção de Educação Popular, e em parceria com a Igreja Católica, direcionando foco na formação de trabalhadores (as), orientando aos sujeitos a participarem dos movimentos, como o objetivo de compreender sua presença na comunidade e desta com o mundo afora. Sendo assim, as informações e formações direcionadas por esta entidade, a respeito da união desses trabalhadores (as), seja através de associações e cooperativas é de imperativa importância para a tomada de consciência.

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Las opiniones, análisis y conclusiones del autor son de su responsabilidad y no necesariamente reflejan el pensamiento de Revista Inclusiones.


[1] Beatriz Sarlo, Paisagens Imaginárias (São Paulo: Edusp, 1997).

[2] Sergio, Haddad, Maria Clara Di, Pierro, “Considerações sobre educação popular e escolarização de adultos no pensamento e na práxis de Paulo Freire. Educ. Soc., Campinas, v. 42, (2021): 08.

[3] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[4] Michel Thiollent, Metodologia da pesquisa-ação (São Paulo: Cortez, 2011), 20.

[5] Maria Virginia de Figueiredo Pereira do Couto Rosa e Marlene Aparecida Gonzales Colombo Arnoldi, A entrevista na pesquisa qualitativa: mecanismo para validação dos resultados (Belo Horizonte: Autêntica, 2008), 18.

[6] Beatriz Sarlo, Paisagens Imaginárias (São Paulo: Edusp, 1997).

[7] Telma Cristiane Sasso de Lima; Regina Célia Tamaso Mioto, “Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: uma pesquisa bibliográfica”. Revista Katálysis, v. 10 (2007): 40.

[8] Maria Aparecida de Gouveia Almeida; Andrea Silva Domingues, “Educação, cultura e meio ambiente: vivências da/na comunidade indígena Assuriní do Trocará na Amazônia Tocantina – Brasil”. Caderno Pedagógico21 (2024): 1233.

[9] Maria Aparecida de Gouveia Almeida; Andrea Silva Domingues, “Educação, cultura e meio ambiente: vivências da/na comunidade indígena Assuriní do Trocará na Amazônia Tocantina – Brasil”. Caderno Pedagógico21 (2024): 1232.

[10] Andrea Silva Domingues, Arte De Falar: Redescobrindo trajetórias e outras histórias da Colônia do Pulador Anastácio-MS (Jundiai- SP: PACO, 2011), 26.

[11] Alessandro Portelli, “Tentando aprender um pouquinho. Algumas reflexões sobre a ética na história oral”. Revista Projeto História, São Paulo, v.13 (1997): 25.

[12] Bruna Fátima de Brito; Andrea Silva Domingues, Historicidade, discurso e memória na Festa de Nossa Senhora do Rosário - São Gonçalo do Sapucaí-MG (Campinas, SP: Labour Editora, 2024), 16.

[13] Eric Hobsbawn, Sobre História (São Paulo: Companhia das Letras, 1998),229.

[14] Edward Palmer Thompson, Os românticos (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002),13.

[15] Michelle Perrot, Os Excluídos da História: Operários, Mulheres e Prisioneiros (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988).

[16] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[17] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[18] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[19] Edward Palmer Thompson, La miseria de la teoria (Barcelona: Crítica, 1981), 17.

[20] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[21] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[22] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[23] Paulo Freire, “Paulo Freire com a palavra”, Revista da União dos Estudantes, Rio Grande do Sul, n. 3 (1982): 13.

[24] Raymond Williams, O Campo e a Cidade: na história e na literatura (São Paulo: Companhias das Letras, 2000), 11.

[25] Aníbal Quijano, “Colonialidade do Poder, da cultura e do conhecimento na América Latina (Análise)”. Equador em Debate, Quito, CAAP, n.º 44 (1998): 227-238.

[26] Raymond Williams, O Campo e a Cidade: na história e na literatura (São Paulo: Companhias das Letras, 2000), 397.

[27] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[28] Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido (Rio de Janeiro:  Paz e Terra, 2013), 83.

[29] Philip Fearnside, Hidrelétricas na Amazônia: Impactos Ambientais e Sociais na Tomada de Decisões sobre Grandes Obras (Manaus: Editora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), 2015),03.

[30] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[31] Raymond Williams, O Campo e a Cidade: na história e na literatura (São Paulo: Companhias das Letras, 2000), 85.

[32] Raymond Williams, Cultura e Materialismo (São Paulo: Editora Unesp, 2011), 89-90.

[33] Antônio Bispo dos Santos, A terra dá, a terra quer (São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023), 03.

[34] Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE, «Histórico», 2024,  https://fase.org.br/pt/quem_somos/quem-somos/

[35] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, «Cidades e Estados», 2024, https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/pa/cameta.html

[36] Adebaro Alves dos Reis, “Desenvolvimento sustentável e uso dos recursos naturais em áreas de várzea do território do baixo Tocantins da Amazônia paraense: limites, desafios e possibilidades” (Tese de Doutorado, Universidade Federal do Pará - Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido, 2015).

[37] O Concílio Vaticano II foi um concílio ecumênico da Igreja Católica, convocado pelo Papa João XXIII em 1962 e concluído pelo Papa Paulo VI em 1965. Ele buscou atualizar a Igreja Católica para os tempos modernos, promovendo a renovação espiritual, a unidade cristã e o diálogo com o mundo contemporâneo.

[38] José Rivaldo Arnaud Lisboa e Benedita Celeste de Moraes Pinto, “Animadores de comunidades: os agentes “Maiores” na multiplicação da educação popular na prelazia de Cametá”.  Brazilian Journal of Development, nº 6 (2020).

[39] Geraldo Frencken, Em Missão: Padres da Congregação da Missão (Lazaristas), no Norte do Brasil (Fortaleza: Edições UFC, 2010), 387.

[40] Geraldo Frencken, Em Missão: Padres da Congregação da Missão (Lazaristas), no Norte do Brasil (Fortaleza: Edições UFC, 2010), 387-388.

[41] Geraldo Frencken, Em Missão: Padres da Congregação da Missão (Lazaristas), no Norte do Brasil (Fortaleza: Edições UFC, 2010), 453.

[42] A Conferência de Medellín, oficialmente denominada II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, foi um evento realizado em Medellín, Colômbia, em 1968, que aplicou os ensinamentos do Concílio Vaticano II às realidades da Igreja na América Latina. O evento foi um marco para a Igreja na região, pois abordou questões sociais como a pobreza e a injustiça, e impulsionou a Teologia da Libertação.

[43] José Rivaldo Arnaud Lisboa e Benedita Celeste de Moraes Pinto, “Animadores de comunidades: os agentes “Maiores” na multiplicação da educação popular na prelazia de Cametá”.  Brazilian Journal of Development, nº 6 (2020).

[44] Entrevista com Cecilio dos Santos Carmo, Porto Grande Cametá-PA, 13 de janeiro

de 2005.

[45] Geraldo Frencken, Em Missão: Padres da Congregação da Missão (Lazaristas), no Norte do Brasil (Fortaleza: Edições UFC, 2010),391.

[46] João Batista Wanzeler, “Educação em movimento, trabalhadores rurais em formação: um estudo sobre lideranças no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Cametá/PA (décadas de 1970-90)” (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Pará - Programa de Pós-Graduação em Educação e Cultura, 2015),90.

[47] Benedita do Carmo Cruz Barbosa, Lembrança de uma História (Cametá-PA:  Ed. AGS, 2023), 09-10.

[48] José Rivaldo Arnaud Lisboa e Benedita Celeste de Moraes Pinto, “Animadores de comunidades: os agentes “Maiores” na multiplicação da educação popular na prelazia de Cametá”, Brazilian Journal of Development, nº 6 (2020): 25.

[49] Carlos Rodrigues Brandão, O que é educação (São Paulo: Editora Brasiliense: 2002).

[50] Benedita do Carmo Cruz Barbosa, Lembrança de uma História (Cametá-PA:  Ed. AGS, 2023), 29.

[51] Benedita do Carmo Cruz Barbosa, Lembrança de uma História (Cametá-PA:  Ed. AGS, 2023), 48.

[52] Benedita do Carmo Cruz Barbosa, Lembrança de uma História (Cametá-PA:  Ed. AGS, 2023), 29.

[53] Geraldo Frencken, Em Missão: Padres da Congregação da Missão (Lazaristas), no Norte do Brasil (Fortaleza: Edições UFC, 2010),471.

[54] Geraldo Frencken, Em Missão: Padres da Congregação da Missão (Lazaristas), no Norte do Brasil (Fortaleza: Edições UFC, 2010),471-472.

[55] Geraldo Frencken, Em Missão: Padres da Congregação da Missão (Lazaristas), no Norte do Brasil (Fortaleza: Edições UFC, 2010),467.

[56] Paulo Freire, Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011), 117.

[57] Benedita do Carmo Cruz Barbosa, Lembrança de uma História (Cametá-PA:  Ed. AGS, 2023), 30.

[58] Entrevista com Cecilio dos Santos Carmo, Porto Grande Cametá-PA, 13 de janeiro de 2005.

[59] Entrevista com Samuel Pompeu da Cruz, Porto Grande Cametá-PA ,13 de janeiro de 2005.

[60] Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido (Rio de Janeiro:  Paz e Terra, 2013).

[61] José Rivaldo Arnaud Lisboa e Benedita Celeste de Moraes Pinto, “Animadores de comunidades: os agentes “Maiores” na multiplicação da educação popular na prelazia de Cametá”, Brazilian Journal of Development, nº 6 (2020).

[62] Entrevista com Edir Gonçalves Pinheiro, Cametá- Pará, 02 de novembro de 2025.