Maternidade e formação acadêmica: mães discentes e os desafios da permanência no curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (ISEPAM) - RJ

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Maternidad y formación académica: madres estudiantes y los desafíos de la permanencia en el curso de Pedagogía en el Instituto Superior de Educação Profesor Aldo Muylaert (ISEPAM) - RJ

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Maternity and academic training: student mothers and the challenges of permanence in the Pedagogy course at the Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (ISEPAM) - RJ

Ingrid Fiuza
Fundação de Apoio à Escola Técnica, Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert, Brasil

ingridfiuza.uenf@gmail.com
https://orcid.org/0009-0001-0258-9416

Juliana Monteiro Oliveira de Abreu Barreto
Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert, Brasil

jutmsw_deabreu@hotmail.com
https://orcid.org/0009-0009-7759-4146


Fecha de Recepción: 16 de Septiembre de 2024

Fecha de Aceptación: 23 de Noviembre de 2024

Fecha de Publicación: 31 de Marzo de 2025

Financiamiento:

Se financió con recursos propios.

Conflictos de interés:

Los autores declaran no presentar conflicto de interés.

Correspondencia:

Nombres y Apellidos: Ingrid Fiuza e Juliana Monteiro Oliveira de Abreu Barreto

Correo electrónico: ingridfiuza.uenf@gmail.com, jutmsw_deabreu@hotmail.com

Dirección postal: Brasil

Resumo

A busca por uma qualificação profissional faz com que muitas mães se dediquem a uma jornada tripla que engloba maternidade, vida acadêmica e vida profissional, o que torna a rotina da mãe universitária desafiadora e interfere diretamente na permanência nos cursos da Educação Superior. Este trabalho tem o objetivo de evidenciar a temática da vivência da maternidade de forma concomitante à vida acadêmica, explicitando os desafios e limites encontrados por mães discentes durante o curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (ISEPAM) visto que, as responsabilidades sobre os cuidados com os filhos recaem sobre a mulher, assunto, inclusive, abordado na temática da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em 2023. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa, com abordagem teórica, fundamentada em dados secundários, por meio de questionário semiestruturado disponibilizado por meio de um formulário de pesquisa impresso e para preenchimento online.

Palavras-chave: Maternidade. Mães discentes. Pedagogia. Desafios da maternidade.

 Resumen
La búsqueda de una cualificación profesional hace que muchas madres se dediquen a un triple camino que abarca la maternidad, la vida académica y la vida profesional, lo que torna desafiante la rutina de una madre universitaria e interfiere directamente con la permanencia en los cursos de Educación Superior. Este trabajo tiene como objetivo resaltar el tema de la experiencia de la maternidad concomitantemente con la vida académica, explicando los desafíos y límites encontrados por las madres estudiantes durante el curso de Pedagogía en el Instituto Superior de Educação Profesor Aldo Muylaert (ISEPAM), ya que, las responsabilidades en el cuidado de los hijos recaen sobre las mujeres, tema incluso tratado en la temática de la redacción del Examen Nacional de Educación Secundaria (ENEM) en 2023. Para ello, se realizó una investigación cualitativa, con un enfoque teórico, basada en datos secundarios, a través de un estudio semi -Cuestionario estructurado disponible a través de un formulario de encuesta impreso y para completar en línea.

Palabras clave: Maternidad. Madres estudiantes. Pedagogía. Los desafíos de la maternidad.

Abstract

The pursuit of professional qualification leads many mothers to undertake a triple journey encompassing maternity, academic life, and professional life, which makes the routine of the university mother challenging and directly affects their permanence in Higher Education courses. This study aims to highlight the theme of experiencing maternity concurrently with academic life, elucidating the challenges and limitations faced by student mothers during the Pedagogy course at the Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (ISEPAM), given that the responsibilities for childcare fall upon women—a topic also addressed in the essay theme of the National High School Examination (ENEM) in 2023. To this end, a qualitative research study was conducted, with a theoretical approach, based on secondary data, using a semi-structured questionnaire made available through a printed survey form and for online completion.

Keywords: Maternity. Student mothers. Pedagogy. Challenges of maternity.


Introdução

Nas últimas décadas a presença feminina vem se tornando cada vez mais marcante nos cursos de Educação Superior de todo o Brasil. Segundo o Censo da Educação Superior de 2022[1], a porcentagem de mulheres que se matricularam em cursos de graduação, tanto presencial quanto à distância, foi predominante. A porcentagem de discentes mulheres que concluíram seus cursos também foi preeminente.


As mulheres que ingressam em suas jornadas acadêmicas possuem os mais variados perfis: são profissionais, donas de casa, mães, muitas delas necessitando administrar jornada de trabalho, maternidade e vida acadêmica, entre outros, o que gera muitas demandas em suas vidas. A maternidade é uma experiência complexa e de várias faces, mas funciona para cada mãe de maneira única e individualizada, cada mãe possui seus próprios anseios, desafios e limites.


São muitas as responsabilidades atribuídas à mulher, principalmente quando se trata da mulher que precisa exercer sua maternidade conciliando com a vida acadêmica e tudo o que ela envolve. É possível destacar uma série de desafios encontrados pelas mães discentes. Oliveira (2003) afirma que “as mulheres têm que lidar todo o tempo com o conflito de ser mãe ou de ser profissional, buscando equilíbrio que é, muitas vezes, difícil de ser atingido.”
[2] As mães que decidem ingressar no campo acadêmico ou mesmo as mulheres que se tornam mães durante essa caminhada, são mulheres que optaram por buscar uma qualificação profissional por meio da graduação.


A vida de discentes que experienciaram a maternidade durante o curso e das que se tornaram mães antes de iniciar sua jornada acadêmica é repleta de desafios: não ter uma rede de apoio, precisar levar seu filho(a) para a instituição por não ter quem cuide dele(a) enquanto ela assiste às aulas, dar conta das atividades propostas no curso, avaliações, estágios, seminários, não é uma tarefa fácil e faz com que a mulher, muitas vezes, se sobrecarregue para dar conta de tudo da maneira mais satisfatória possível.


Pensando na realidade das mães discentes, este presente trabalho foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo qualitativa, visando trazer à luz os desafios e limites enfrentados para a sua permanência na graduação. Para a pesquisa bibliográfica recorreu-se a material impresso e online, sendo revistas, monografias, livros, teses e artigos acadêmicos (fontes: Google Acadêmico e Scielo). A pesquisa de campo foi realizada com mães discentes do curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (ISEPAM) em Campos dos Goytacazes – RJ.


Nesse contexto, a pesquisa qualitativa em questão engloba informações pertinentes para compreensão dos desafios encontrados por mães discentes para sua permanência no curso de Pedagogia do ISEPAM. O objetivo do presente trabalho é o de elucidar as observações e experiências vivenciadas no decorrer da formação no ISEPAM, partindo do pressuposto de uma necessidade de compreensão da realidade da mãe discente.


Para tal, foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa de caráter expositivo, descritivo, exploratório, por meio de um questionário semiestruturado, onde a abordagem teórica se deu por meio de autores como: Forna (1999),
[3] Moura (2012),[4] Oliveira (2003),[5] Resende (2016),[6] Silva (2020),[7] entre outros, sendo esse referencial teórico fundamental para o embasamento desta pesquisa.

        O referencial teórico compõe essa pesquisa como,

[...] um procedimento metodológico importante na produção do conhecimento científico capaz de gerar, especialmente em temas pouco explorados, a postulação de hipóteses ou interpretações que servirão de ponto de partida para outras pesquisas.[8]

        

Neste artigo a pesquisa bibliográfica se deu num primeiro momento por meio de uma busca por temáticas pertinentes à realidade da instituição ISEPAM, onde ao se observar o perfil dos discentes do curso de Pedagogia, é possível perceber que a maioria é composta por mulheres, dessa maioria existe uma boa parte composta por mulheres que são mães. Daí, a necessidade de trazer à luz esse assunto, analisando a vivência das próprias discentes.


Para isso torna-se essencial o aprofundamento em diversas questões que envolvem a maternidade, como, o panorama histórico dos sentidos de maternidade e os modos dos quais a maternidade se estabelece na atualidade, para, a partir daí, evidenciar a pesquisa qualitativa, mostrando a realidade da mãe discente que cursa Pedagogia no ISEPAM e os desafios e limites para sua permanência no curso.

  1. Os sentidos da maternidade numa perspectiva histórica

A maternidade é uma experiência complexa, de diferentes faces, carregada de significados pessoais que compreendem toda a vida da mulher. De acordo com      Ariés, os conceitos de maternidade se situam de maneira enraizada na história, e se afetam de forma recíproca, em cada fase histórica, variando de acordo com contextos econômicos, culturais, sociais e políticos.[9]


De acordo com Poster, na era pré-histórica, as pessoas dependiam da agricultura, da caça, da pesca, e a maternidade era fundamental para a sobrevivência das comunidades, visto que as mulheres exerciam papel vital no cuidado com os filhos e na produção de alimentos.
[10]


Nas civilizações antigas, a maternidade era o principal dever da mulher, que era responsabilizada pela sua capacidade de dar à luz, é o que afirmam Moura e Araújo.
[11] No período da Idade Média, a maternidade era vista como sendo o dever sagrado da mulher na regulação da vida familiar, sendo atrelada fortemente à religião e à moralidade. “Neste cenário, as mulheres e as crianças figuravam igualmente como pessoas de pouca importância, que se subordinavam ao marido/pai. Nenhum valor especial era atribuído à maternidade e tampouco aos bebês.”

[12]
É importante ressaltar que nesse período em questão, o contato com os pais era mínimo e sem traços de afetividade, conforme elucida Forna:

A maternidade não tinha um status especial, deveres ou pressupostos especiais. A mulher dava à luz e pronto. Não se presumia que ela fosse amar o filho, a não ser que se resolvesse a amá-lo. Não se esperava sequer que ela cuidasse do bebê. Na verdade, em casos de divórcio na Inglaterra, França e América do Norte, geralmente era o pai quem tinha a custódia dos filhos (...). As mulheres eram consideradas muito amorais, inferiores e fracas para assumir tais responsabilidades.[13]

Como ressalta Resende, no Renascimento e na Idade Moderna (do século XV até XVIII) o papel principal da mulher era o de ser mãe e exercer ativamente a sua maternidade, sendo direcionada naturalmente a cuidar dos filhos.[14] Essa era a forma da mulher contribuir para a família e para a sociedade, algo que era, também, importante para a identidade feminina, tanto que a própria arte e literatura da época refletiam isso, pois as mães eram idealizadas nas obras.


No Brasil, a partir do período colonial (entre 1500 e 1822), a educação era, sobretudo, voltada para homens, e especialmente aos filhos das famílias ricas. Somente algumas meninas (de famílias abastadas) tinham acesso à educação, sendo comumente em instituições religiosas, onde o foco do ensino era mais religioso.


Já entre os séculos XVII e XVIII, a maternidade tinha uma ligação profunda com à moralidade e a religião, vista como um dever sacramentado, sendo o cerne da vida familiar, onde o parto era considerado um evento religioso, como destacam
Gradvohl, Osis e Makuch.[15] A partir do século XIX, ocorreram mudanças significativas quanto aos papéis ocupados pela mulher na sociedade e a compreensão da maternidade.

Com relação à mulher, especificamente, nota-se que, a partir do século XVIII e principalmente no século XIX, desenhou-se uma nova imagem de sua relação com a maternidade, segundo a qual o bebê e a criança transformam-se nos objetos privilegiados da atenção materna. A devoção e presença vigilantes da mãe surgem como valores essenciais, sem os quais os cuidados necessários à preservação da criança não poderiam mais se dar. A ampliação das responsabilidades maternas fez-se acompanhar, portanto, de uma crescente valorização da mulher-mãe, a rainha do lar, dotada de poder e respeitabilidade desde que não transcendesse o domínio doméstico.[16]

No que se refere à educação feminina, se deu o início de sua expansão, com a influência do movimento feminista. No ano de 1827, foi sancionada pelo então imperador Dom Pedro I a primeira lei educacional do Brasil, a “Lei Geral da Instrução”, que permitia a criação, em todo o Brasil, de escolas para meninas.[17] Porém, em relação à educação formal, o acesso ainda era bastante limitado.

Somente no século XX as mulheres tiveram, de fato, o acesso à modernidade e ao rompimento com a identidade unificada, forjada nos últimos séculos: “tempo da modernidade em que se torna possível uma posição de sujeito, indivíduo de corpo inteiro e atriz política, futura cidadã”.[18]

 

Por meio dos questionamentos das mulheres sobre seus papéis na sociedade, possibilitou-se o acontecimento de conquistas muito pertinentes. A mulher passou a exigir mais direitos e liberdades, como à proteção à maternidade, o direito ao voto, à não discriminação, à liberdade de expressão, à igualdade, é o que destaca Rodrigues.[19] Nesse momento da história, as mulheres começaram a trabalhar nas fábricas, o que ocasionou um grande impacto na dinâmica da maternidade, visto que, precisaram se ausentar de suas famílias, consequentemente tendo menos tempo para cuidar de seus filhos. A partir desse marco histórico, as mulheres precisaram (e precisam até os dias atuais (2023) se equilibrar na realização dos seus papéis e demandas em busca de reconhecimento e realização materna, profissional e pessoal.


No tocante à educação feminina no Brasil, em inícios do século XX, ocorreram avanços relevantes. As mulheres passaram a ser admitidas pelas primeiras universidades brasileiras, aconteceu uma expansão da educação formal em todos os níveis. Os movimentos feministas e reformas educacionais favoreceram o crescimento e acesso à educação para as mulheres como evidenciam os estudos de Duarte.
[20]


Mudanças significativas na maternidade continuaram acontecendo no decorrer do século XX. Duarte (2019) atesta que com o advento da contracepção, o aumento das taxas de emprego fora de casa, a emancipação feminina e sua independência cada vez maior, seu poder de tomada de decisões aumentou consideravelmente.
[21] Esses fatores deram à mulher mais controle sobre a decisão de se tornar e sobre quando se tornar mãe. A maternidade, então, passou a ser vista e considerada, também, como uma escolha pessoal e não somente como um dever social, embora a sociedade ainda exerça certa influência quanto a esses posicionamentos por parte da mulher.

Por um lado, na mudança de sua identidade, a mulher passa a assumir uma nova condição de si, da vida, das relações, dos outros, provocando uma transformação de comportamento, posturas e, finalmente, uma mudança completa na sua autoimagem. E, por outro, a sociedade ao lhe impor papéis, fundamentalmente, exige certos posicionamentos e atitudes que a relegam a uma condição de cumpridora do seu “dever”.[22]

Nas décadas de 1960 e 1970, no Brasil, as mulheres começaram a desempenhar um papel mais ativo na sociedade, na política e na força de trabalho. Nesse período, o Brasil vivenciava um aumento cada vez mais significativo em relação ao acesso das mulheres à educação, incluindo nas universidades. Esse aumento segue crescente até os dias de hoje (2023).

Atualmente (2023), pode-se observar que a construção social dialoga diretamente com o conceito de maternidade, inclusive para além de uma possibilidade biológica. São abordadas diversas discussões sobre a estruturação do significado do que é ser mulher e sobre os papéis que ela pode desempenhar na sociedade.


Mediante as influências sociais no que se refere aos papéis desempenhados pela mulher moderna, pode-se destacar mudanças pertinentes ocorridas no ambiente político, econômico e social, nas quais a mulher conquistou e continua conquistando um espaço cada vez maior. Essas mudanças fazem com que a rotina da mulher, seus projetos pessoais e suas prioridades, muitas vezes, sejam modificados.  

De todas as conquistas das mulheres, a maternidade é a decisão mais complexa a ser tomada por elas. Mesmo com as atuais mudanças de conceito e percepção sobre a maternidade, esse ainda é seu maior desafio. A mulher assumiu novas posições, transpôs barreiras morais e legais, mas gerar uma vida é função exclusivamente feminina.[23] 

Os significados ligados diretamente à maternidade são individualizados e podem variar amplamente, com base nas experiências pessoais, nas crenças culturais e religiosas, nos contextos sociais e econômicos de cada mulher. De acordo com Saalfeld:

[...]não há um único modo de pensarmos a maternidade. Ela a encontra-se, portanto, imbricada nas mesmas dimensões sociais das quais estamos inseridos/as na sociedade e se apresenta a nós conforme um padrão vigente estabelecido.[24]

Não se objetivam perspectivas de uma única interpretação e definição da maternidade, e é de suma importância valorizar e respeitar a diversidade de experiências e perspectivas relacionadas a ela.


A maternidade é vivenciada por grande parte das mulheres em um dado momento da vida, quando a chegada de seu filho pode exigir uma nova configuração no que se refere a hábitos, rotinas, relações sociais e outros aspectos. É uma fase em que a mulher acaba por se dedicar, a maior parte do seu tempo, a outro ser, quando o seu nível de responsabilidades aumenta, consideravelmente.

A maternidade é um empreendimento ao qual abri um enorme crédito... Ela está encarregada de desdobrar minha energia, de engrandecer meu coração e de me recompensar com alegrias ilimitadas. Mas a maternidade é uma experiência complexa, que inspira sentimentos contraditórios. [...] A ciência da mãe comporta méritos silenciosos ignorados de todos, uma virtude minuciosa, um devotamento de todas as horas.[25]


As expectativas em volta da maternidade mudaram. Na atualidade (2023) existe um enfoque crescente na conciliação da vida profissional, da vida acadêmica e da vida familiar. Baseando-se nessa perspectiva complexa da maternidade, esse estudo se desenvolve, mostrando, por meio da pesquisa de campo realizada, os limites que as mães encontram no contexto acadêmico e os seus desafios e vivências no curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (ISEPAM), em Campos dos Goytacazes – RJ.

  1. Metodologia

        

A presente pesquisa de campo foi desenvolvida baseando-se no levantamento e análise dos dados coletados por meio de questionário respondido pelas mães discentes do curso de Pedagogia do ISEPAM, com a compreensão de que a pesquisa é uma técnica muito importante para a construção do conhecimento referente à temática em questão.

Pesquisa é o mesmo que busca ou procura. Pesquisar, portanto, é buscar ou procurar resposta para alguma coisa. Em se tratando de Ciência, a pesquisa é a busca de solução a um problema que alguém queira saber a resposta. [...] Pesquisa é, portanto, o caminho para se chegar à ciência, ao conhecimento.[26]

A natureza da pesquisa foi a aplicada, que envolve verdades e interesses locais, e tem o objetivo de gerar conhecimentos para aplicação prática, visando a solução de problemas específicos conforme enfatizam Kauark, Manhães e Medeiros.[27]  De acordo com seu objetivo, aponta-se que a pesquisa foi exploratória, onde foi possibilitada a coleta de informações e dados subjetivos por meio de preenchimento de questionário disponibilizado por meio de formulário de pesquisa.


Gil, destaca que a Pesquisa Exploratória tem o objetivo de trazer maior familiaridade ao problema, o tornando explícito.
[28] Compreende levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que possuem experiências práticas com o problema pesquisado. No caso do presente texto o problema pesquisado são os desafios encontrados pelas mães discentes para permanência no curso de Pedagogia do ISEPAM.


A modalidade da pesquisa foi a qualitativa, que de acordo com Minayo,
é uma abordagem que busca compreender e explorar fenômenos sociais complexos, muitas vezes envolvendo experiências, significados e contextos.[29] Quando aplicada a um artigo acadêmico, a pesquisa qualitativa pode ser usada para investigar questões que exigem uma compreensão mais profunda e rica, frequentemente associada a contextos sociais, culturais e comportamentais.

 
Segundo Augusto, alguns fatores são fundamentais para desenvolver uma boa pesquisa qualitativa, tais como:

Credibilidade, no sentido de validade interna, ou seja, apresentar resultados dignos de confiança; transferibilidade, não se tratando de generalização, mas no sentido de realizar uma descrição densa do fenômeno que permita ao leitor imaginar o estudo em outro contexto; confiança em relação ao processo desenvolvido pelo pesquisador; confirmabilidade (ou confiabilidade) dos resultados, que envolve avaliar se os resultados estão coerentes com os dados coletados; explicitação cuidadosa da metodologia, detalhando minuciosamente como a pesquisa foi realizada e, por fim, relevância das questões de pesquisa, em relação a estudos anteriores.[30]

O estudo e a análise dos limites e desafios encontrados pelas mães discentes no curso de Pedagogia do ISEPAM foram feitos baseando-se na pesquisa qualitativa realizada com um grupo de mães discentes da instituição, por meio de um questionário semi estruturado, disponibilizado a elas via formulário de pesquisa. Esse formulário foi fornecido tanto via e-mail e WhatsApp (para preenchimento online) quanto impresso (para preenchimento por escrito). As perguntas e informações solicitadas no formulário de pesquisa para coleta de dados foram elaboradas com base em pesquisa bibliográfica pertinente à temática do presente artigo, utilizando material impresso e online, sendo revistas, monografias, livros, teses e artigos acadêmicos (fontes: Google Acadêmico e Scielo).

O formulário de pesquisa foi elaborado em duas partes, na primeira delas, constam perguntas referentes a dados pessoais e informações sobre a discente e o curso de Pedagogia. As informações pessoais solicitadas nessa parte foram: nome, idade, estado civil, número de celular, número de filhos, idade dos filhos. No tocante à discente e ao curso, as perguntas foram sobre: ano de ingresso, fase-período em curso, em que turno, se a maternidade veio antes ou depois do ingresso no curso e, finalmente, se as entrevistadas teriam alguma rede de apoio no cuidado de seu(s) filho(s) para que pudessem estudar e se dedicar ao curso de Pedagogia.

A segunda parte do formulário de pesquisa foi elaborada com seis perguntas discursivas, mais direcionadas a questões que envolviam a maternidade, vida acadêmica e permanência no curso. Os questionamentos produzidos nessa parte foram cruciais para a construção da pesquisa, que terá seu desenvolvimento evidenciado no presente texto. As perguntas feitas às discentes na segunda seção do formulário de pesquisa foram:

 1. Você já precisou, ou precisa atualmente, levar seu/sua filho(a) às aulas por não ter com quem deixá-lo? Se sim, como foi ou como é a experiência? 2. Descreva como é a sua rotina diária (suas atribuições e demandas como mãe, estudante, entre outras). 3. Para você é difícil e desafiadora a função de conciliar maternidade e estudos? Por quê? 4. As demandas da maternidade, em algum momento, fizeram você cogitar a possibilidade de desistir do curso ou trancar sua matrícula? Por quê? 5. Quais são as maiores barreiras, dificuldades e desafios que você precisa enfrentar para permanecer no curso de Pedagogia do ISEPAM? 6. Se você pudesse criar algum tipo de ação ou política de permanência no curso de Pedagogia do ISEPAM, voltada para as mães estudantes, qual seria?

O acesso às mães discentes foi feito através de visitas às salas de aula do curso de Pedagogia da instituição (do 4º ao 8º período), onde foram convidadas a responder o formulário de pesquisa. Dessa forma, oito mães discentes responderam à pesquisa, com idades variando entre 26 e 42 anos, sendo duas solteiras e seis casadas. Duas delas já eram mães antes de iniciarem o curso e seis se tornaram mães durante o curso. As discentes cursaram à época da pesquisa do 4º ao 8º período da graduação, três delas no turno vespertino e cinco no turno noturno.


Para explanação das respostas concedidas pelas mães discentes que participaram da pesquisa, optou-se por identificá-las por meio de seus sobrenomes, possibilitando assim que se sentissem mais confortáveis em expor suas vivências, experiências e desafios no curso de Pedagogia do ISEPAM.

  1. Limites, desafios e vivências encontrados no contexto acadêmico pelas mães discentes do curso de Pedagogia do ISEPAM

A maternidade traz à luz e evidencia inúmeros desafios na vida das mulheres. São muitas as atribuições e demandas da mulher, que, muitas vezes, é mãe, esposa, universitária, profissional e precisa se desdobrar para dar conta de sua rotina, de maneira que cada área seja prejudicada o mínimo possível. Por meio dessa pesquisa, buscou-se relatar as vivências experienciadas pelas mães estudantes entrevistadas e suas trajetórias na convergência da maternidade e vida acadêmica. Nesse contexto, foi pedido às discentes que descrevessem a sua rotina diária (suas atribuições como mãe, estudante, entre outras). Dentre as falas, destacam-se as seguintes:

LIMA - “Resumidamente, moro sozinha com meus filhos, faço tarefas domésticas, cuido da bebê enquanto meu filho está na creche. Em período de estágio curricular obrigatório eu levo a bebê comigo na parte da tarde, e já fico no ISEPAM até a noite para as aulas, assim economizo dinheiro de passagem. Nem sempre é fácil conciliar tudo. Ainda existem as obrigações com a faculdade, os trabalhos, seminários, provas, têm os dias que as crianças estão doentes e a casa necessitando de cuidados, é exaustivo.”

VALENTIM - “A minha rotina é bem pesada. Trabalho fora, além de ser mãe, esposa e universitária. Saio de casa muito cedo e chego tarde demais.”

SILVA - “Na parte da manhã eu estou em casa, mas os meus filhos estudam pela manhã. À tarde, eu faço estágio remunerado para complementar a renda e ajudar com os custos de passagem e alimentação. À noite, estou quase todos os dias na faculdade.”

Foi possível verificar que, embora as vivências sejam diversas, muitas são as atribuições da mãe universitária, cada uma tem uma realidade de vida diferente da outra, porém todas elas precisam constantemente readequar o seu cotidiano, muitas vezes suscitando em escolhas difíceis, que, por sua vez, podem fazer com que sua disponibilidade para outras atividades seja pequena. Como evidenciam Silva e Alves:

Quando se fala de maternidade dentro das universidades, verifica-se um tema complexo para uma mulher que é mãe e pleiteia por seu espaço no mundo. Muitas vezes essas mães são funcionárias, esposas e alunas ao mesmo tempo, acumulando assim várias tarefas para sua vida.[31]

Nesse ínterim, observa-se o quão difícil é conciliar a vida de mãe com a vida acadêmica na sociedade, pois por mais que a mãe possua uma rede de apoio, as maiores responsabilidades sobre os filhos costumam incidir sobre ela. Segundo Gomes, esse é um desafio que ultrapassa as questões acadêmicas.[32]


A própria sociedade projeta sobre a maternidade um peso de expectativas e cobranças sobre ser mãe. Essa é uma temática de relevante discussão, foi abordada na redação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2023, cujo tema foi: “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.
[33]


Quando se trata da questão da rede de apoio, foi possível compreender a sua importância na vida das mães. As discentes que possuem uma rede de apoio para o cuidado de seus filhos. Relataram que isso as deixa muito mais tranquilas para participarem das aulas, pois sabem que, enquanto estão estudando, existem pessoas de sua confiança que estão cuidando dos seus filhos e dando assistência a eles no que for necessário.


Nota-se que, independentemente da fase, a mãe precisa ter por perto pessoas que a deixem mais segura, que não julguem suas decisões e que a ajudem a viver uma maternidade mais feliz e tranquila. Gomes evidencia que, desse modo, as redes de apoio são uma das possíveis maneiras de conciliar as demandas do ser mãe com a vida acadêmica da mulher
.[34] Porém, infelizmente, essa não é a realidade de todas as mães discentes. Das oito mulheres entrevistadas, três não possuem nenhuma rede de apoio e, quando perguntadas se por esse motivo acabam precisando levar seus filhos com elas para as aulas, obtiveram-se as seguintes respostas:

LIMA - “Meu filho, por ser maior eu deixo com uma cuidadora, mas preciso levar minha bebê comigo para aulas e estágio obrigatório, não tenho com quem deixá-la, é cansativo e desgastante, as salas não são confortáveis para receber um bebê[...].”

RODRIGUES - “Sim. Já precisei levar. E logo na minha primeira vez fui desmotivada de uma certa forma pela professora que me pediu pra sair da sala porque minha bebê começou a ‘conversar’ ela tinha meses na época. Hoje tem 2 anos.”

 

ALMEIDA - “Sim, levei meu filho mais novo na época que eu fazia estágio de Pesquisa e prática do sexto período, porém fui impedida de estagiar naquele dia, pois alegaram que meu filho era muito pequeno e que alguma criança poderia machucá-lo. Foi uma péssima experiência.”

Ser mãe e universitária envolve muitas questões, como: o acúmulo de responsabilidades, a organização e divisão do tempo entre cuidados com os filhos e trabalhos acadêmicos, provas, estágios e eventos acadêmicos; a organização e divisão do tempo entre estudos e trabalho. O fato de precisar levar o filho(a) para o ambiente acadêmico torna tudo ainda mais difícil e desgastante para a mãe.

Cada uma dessas mães traz consigo e para o espaço acadêmico expectativas, inseguranças e contribuições que precisam ser ouvidas para que a universidade contemple a diversidade que ela abriga, sem calar discursos, saberes e histórias (SAMPAIO, 2011).

Todas as mães entrevistadas, inclusive, citaram que, por vezes, já chegaram a pensar em trancar a sua matrícula ou desistir do curso de Pedagogia devido às demandas que a maternidade exige e à falta de apoio por parte de familiares e até mesmo por parte da instituição de ensino. Seguem os relatos de Lima e Rodrigues sobre essa questão, quando foram perguntadas: As demandas da maternidade, em algum momento, já fizeram você cogitar a possibilidade de desistir do curso, ou trancar sua matrícula? 

LIMA - “Sim, com minha rotina corrida, tendo dois filhos e pouquíssimo tempo para cuidar de mim, o meu psicológico não tem estado muito legal ultimamente. Desde o término da minha licença-maternidade, eu tenho que levar minha bebê comigo todo dia, de ônibus, e isso não é nada fácil. Várias vezes por semana ou até mesmo por dia eu penso em trancar a faculdade. Sei que se eu fizer isso, esse desgaste e correria vão acabar. Por outro lado, está tão perto de terminar, não vejo a hora de passar por esse processo, falo pra mim mesma que é um dia de cada vez, assim eu estou conseguindo manter o curso.”

RODRIGUES - “Sim. Por vezes, eu pensei em trancar, cheguei a ir à secretaria para fazer isso, mas chegando lá fui orientada, aconselhada a não fazer, mas sim ir fazendo aos poucos. E assim eu estou fazendo. Porque mesmo fazendo uma faculdade que fala tanto em inclusão, é difícil encontrar professores e uma gestão escolar que sejam realmente inclusivos, acolhedores... E somando tudo isso à correria do dia a dia, fica muito pesada a jornada de estudante.”

É possível compreender a importância da discussão sobre essa narrativa que envolve os desdobramentos da vida da mãe discente e a sua rotina acadêmica, principalmente quando não lhe resta nenhuma opção, a não ser a de levar seu/sua filho(a) para as aulas junto dela.


Oliveira elucida que a mãe discente experencia muitos conflitos em sua trajetória acadêmica. Ela busca a todo tempo realizar consertos para que consiga conciliar o ser mãe com o ser estudante, buscando um equilíbrio que muitas vezes é difícil de ser alcançado.
[35] Todas as mães entrevistadas relataram dificuldades em conciliar sua maternidade com a vida acadêmica quando perguntadas: Para você é difícil e desafiadora a função de conciliar maternidade e estudo? Por quê?

VALENTIM - “Muito! Tenho mais dificuldades quando há algum trabalho que eu preciso estudar em casa, pois o meu filho mais novo quer atenção o tempo todo quando estou por perto. Acabo tendo que fazer as coisas muito tarde esperando ele dormir e no outro dia já tenho que estar de pé para iniciar a rotina.”

SILVA - “Sim. Por anos eu deixei de pensar em mim, em voltar a estudar, para trabalhar e sustentar meus filhos. Mas, com o tempo eu pude perceber que ao estudar, ter uma profissão, uma formação acadêmica, eu estaria também pensando neles. Não é fácil, são dias de muito cansaço, às vezes chego a casa e todos os meus filhos já estão dormindo.”

LIMA - “Sim, com certeza, a maternidade em si já exige muito das mães, para as mães estudantes é um desafio ainda maior. Cuidar de seres que dependem de mim pra tudo e ainda estudar e realizar as tarefas da faculdade com êxito é super cansativo, são muitas responsabilidades ao mesmo tempo, conseguir conciliar tudo é admirável aos olhos de quem vê de fora e exaustivo para a mãe que tem que suportar o dia, eu ainda não desisti porque não luto só por mim.”

Essas situações vivenciadas geram dificuldades na trajetória acadêmica e um acúmulo de responsabilidades que trazem uma sobrecarga à mãe estudante. A busca pela autonomia financeira e por garantias de um bom futuro aos seus filhos torna-se combustível para que a mãe continue firme em sua jornada acadêmica. Como ressalta Saalfeld[36]:

[...], queremos dizer que quando as mães referem estarem lutando por um futuro melhor para seus/suas filhos/as, não quer dizer que a maternidade seja fácil de conciliar com os estudos ou que por mais que existam dificuldades elas acabam sendo superadas, mas sim que o propósito pelo qual persistem acaba vencendo os obstáculos que enfrentam.

Muitas mães enfrentam limitações devido à sua rotina exaustiva, o que as priva de momentos de lazer e qualidade com a família, amigos e consigo mesma; momentos que propiciem o autocuidado, pois grande parte das mães coloca as necessidades dos filhos antes das suas, os primeiros a serem cuidados acabam sendo sempre os filhos.


Sobre esse contexto, foi direcionado às entrevistadas o seguinte questionamento: Quais são as maiores barreiras, dificuldades e desafios que você precisa enfrentar para permanecer no curso de Pedagogia? Evidenciam-se as seguintes respostas:

 VALENTIM - “Vencer o meu cansaço de um dia inteiro de trabalho e ter que enfrentar uma sala de aula, deixar os meus filhos pela manhã e só reencontrá-los à noite e ter que chegar à casa depois de uma rotina exaustiva e ainda dar atenção para minha família da forma que eles merecem.”

SILVA - “Primeiro é responsabilizar parte da educação dos meus filhos a outras pessoas. A falta de tempo com meus filhos e meu esposo também é uma grande dificuldade, porque nós que estamos na faculdade sabemos dos compromissos, mas nem sempre a família entende.”

RODRIGUES - “O meu maior desafio é conseguir tempo para fazer as atividades avaliativas, ler os materiais dados pelos professores. Fazer trabalhos em grupos em várias turmas diferentes porque fico pulando de turma em turma devido às disciplinas atrasadas e nem toda turma é solícita.”

As mães que possuem outras atribuições, como uma atividade profissional remunerada, que realizam também o trabalho doméstico, além de tudo o que envolve a maternidade (cuidado, atenção, afetividade e até mesmo privação de sono para uma parte das mães), relataram falta de tempo em sua rotina. Por mais que o gerenciam da melhor maneira possível, são muitas as necessidades da mulher mãe. O excesso de responsabilidades e, relativamente, o pouco tempo para cumpri-las é um fator decisivo para um desempenho acadêmico satisfatório ou não, no qual, muitas vezes, leva a mãe discente a não conseguir entregar o que lhe é atribuído no ambiente acadêmico (trabalhos, seminários, estágios, entre outros) com a qualidade e o desempenho que gostariam, como salientam Ávila e Portes.[37]


É importante ressaltar ainda, que muitas das mães discentes se sentem culpadas por nem sempre conseguirem estar presentes em todos os momentos da vida dos filhos e precisarem dividir responsabilidades sobre eles com outras pessoas, mesmo que sejam os pais. Em relação a essa questão dos desafios encontrados pelas mães para a permanência no curso de Pedagogia do ISEPAM, foi feita a seguinte pergunta às entrevistadas:
Se você pudesse criar algum tipo de ação ou política de permanência no curso de Pedagogia do ISEPAM, voltada para as mães estudantes, qual seria?  Algumas respostas recebidas estão listadas a seguir:

LIMA - “Um local confortável onde eu pudesse deixar minha filha enquanto estivesse nas aulas ajudaria muito.”

SANTOS - “Para mães que não têm rede de apoio, seria uma boa trabalhar com berçário. E para as mães que têm filhos maiores (em idade escolar), poderiam ter vagas aqui garantidas para os mesmos.”

VALENTIM - “Talvez um projeto para filhos de alunas e os estagiários da Educação Infantil tomarem conta. Além de ajudar as mães alunas, ajudaria as estagiárias que têm dificuldade de cumprir suas horas durante o dia devido ao trabalho.”

Foi possível constatar que todas as mães entrevistadas citaram como proposta a criação de um espaço que pudesse atender aos filhos das discentes do curso de Pedagogia do ISEPAM enquanto elas estivessem em horário de aula. Um ambiente com recursos que possam atender às necessidades das mães e dos filhos, como: local apropriado para trocar fraldas, local para amamentação e momento da soneca, espaço lúdico que possibilitasse momentos de brincadeira. Houve, também, sugestão para que fosse possibilitada uma grade de estágio para as alunas do curso de Pedagogia do ISEPAM, no qual as estagiárias atuariam no cuidado dos filhos das estudantes que, por algum motivo, precise levá-los junto consigo à instituição, viabilizando a participação delas nas aulas de forma tranquila.


Nunes e Silva enfatizam a importância de dar visibilidade aos desafios da mãe discente no âmbito acadêmico, principalmente para contribuir na criação e implantação de políticas de assistência estudantis que visem contribuir para sua permanência na Educação Superior.
[38]

A importância de discutir a situação acadêmica das estudantes que são mães parte do entendimento de que uma universidade responsável na atualidade é aquela que se compromete com o processo de democratização, equidade e justiça social, mas para que isso aconteça medidas antidiscriminatórias e estratégicas devem ser tomadas.[39]

Considerações finais

Ao considerar o percurso histórico vivenciado pela mulher, é possível observar que muitas são as evoluções e mudanças sociais ocorridas ao longo do tempo. Dentre essas mudanças, é possível destacar a igualdade de direitos e a conquista na área educacional, possibilitando o acesso à Educação Superior, que são conquistas de extrema importância e relevância para a mulher e para toda a sociedade.

        Dentre os muitos papéis exercidos pela mulher, o presente trabalho buscou se aprofundar nas questões que envolvem a maternidade, instigado pela observação das mães discentes do curso de Pedagogia do ISEPAM, identificando que muitas são as limitações e desafios encontrados para a sua permanência no curso.


A maternidade é uma experiência complexa na qual a mulher enfrenta inúmeros desafios e processos internos e externos. No âmbito educacional não é diferente. A presente pesquisa buscou trazer à luz esses desafios e processos vividos pelas mães discentes do curso de Pedagogia do ISEPAM, que foram ouvidas por meio da pesquisa qualitativa realizada.


Ao refletir sobre o desdobramento da presente pesquisa e evidenciar as respostas das destas mães à entrevista, foi possível concluir que muitas são as questões referentes à sua permanência no curso. É factível que muitas são as necessidades e demandas experienciadas por elas no decorrer do seu processo de formação.


É necessário ter um olhar empático para com a realidade da mãe estudante que busca conciliar os seus papéis vários papéis sociais, muitas vezes não tendo uma rede de apoio que a auxilie no cuidado dos seus filhos para que possa se dedicar ao curso de maneira satisfatória, pois muitas são as demandas que ele exige. São trabalhos, seminários, avaliações, estágios, muitos fatores que são necessários para uma boa formação. É de suma importância que a instituição de ensino exerça o papel da escuta: ouvir às mães discentes em suas questões, desafios, limitações e, buscar entender e validar seus processos. A mãe que sente que é ouvida, compreendida e apoiada sente mais segurança, confiança e satisfação no ambiente acadêmico, fatos que colaboram para que ela permaneça firme no seu processo de formação.


A instituição de ensino pode auxiliar nesse processo para que ele se torne mais leve e, até mesmo mais prazeroso para a mulher, promovendo também, políticas e ações alternativas que contribuam para a permanência e auxiliem a mãe discente no seu processo de formação, como, a criação de um espaço confortável, dentro do ambiente acadêmico, onde a mãe que não possui rede de apoio ou que precise levar seu/sua filho(a) junto com ela para as aulas, por algum motivo, possa encontrar ali um ponto de apoio.


Nesse espaço, a mãe poderia encontrar um local reservado para amamentação, troca de fraldas, soneca do bebê e/ou um espaço lúdico para a criança brincar. Também se levanta a possibilidade da alternativa da disponibilização de estagiários, que seriam designados à tarefa de cuidar dos filhos das discentes enquanto elas estivessem participando das aulas.


Ressalta-se que foi informado pela direção da equipe 2022/2024 da instituição ISEPAM que existe uma percepção sobre essa necessidade das mães discentes. A instituição tem a ideia de um projeto onde o espaço que já existe e é destinado à Educação Infantil, no período diurno, seja utilizado, no período noturno (que é um turno onde ainda não existe estágio curricular disponível), para que exista ali um setor que possa atender os filhos das mães discentes enquanto estiverem participando das aulas. Essa iniciativa possibilitaria, inclusive, que os estudantes que não podem estagiar durante o dia, devido à sua carga de trabalho, possam estagiar no período noturno, neste setor.

Falar da maternidade de uma forma não romantizada, mostrando as dificuldades que estão relacionadas às responsabilidades que as mães discentes acumulam e vivenciam em sua rotina e cotidiano, fazer com que essas questões sejam mais amplamente discutidas e tenham mais visibilidade e assistência, podem contribuir para que a vivência das mães na Educação Superior seja um sucesso. É de extrema importância pensar que para que haja um fim (a conclusão do curso), existe um meio, um árduo caminho a ser percorrido e ultrapassado.


De acordo com pesquisas à normativas que pudessem trazer amparo às mães discentes, está como grande achado a lei 8.497/2019 RJ que
obriga as instituições de ensino superior a criarem espaços infantis para o desenvolvimento de atividades lúdicas e cuidados para os filhos dos estudantes regularmente matriculados nas respectivas instituições.”[40]  Fica nítido que embora existam intenções institucionais para promover tal assistência, ainda não há uma noção de que tal iniciativa é legal e precisa ser cumprida. Com força de lei, esta pauta precisa ser uma das prioridades na agenda do Instituto e demais instituições de ensino superior do Estado do Rio de Janeiro.  


Conclui-se que, por meio da escuta, empatia, valorização das vivências, compreensão dos desafios e limites enfrentados pelas mães discentes, há possibilidades de atendimento que favoreçam e resguardem sua permanência na Educação Superior e, consequentemente, a conclusão de sua graduação.

Referências

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Las opiniones, análisis y conclusiones del autor son de su responsabilidad y no necesariamente reflejan el pensamiento de la Revista Inclusiones.


[1] Brasil, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Censo da Educação Superior 2022: notas estatísticas (Brasília, DF: Inep, 2022).

[2] Zuleika Lopes Coelho de Oliveira, “Trabalho e gênero: a construção da diferença”, en Mulher e trabalho (Porto Alegre, v. 3, 2003), 116, https://revistas.planejamento.rs.gov.br/index.php/mulheretrabalho/article/view/2696/3018.

[3] Aminata Forna, Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães (Rio de Janeiro: Ediouro, 1999).

[4] S. M. S. R. de Moura y M. F. Araújo, “A maternidade na história e a história dos cuidados maternos”, Psicologia: Ciência e Profissão vol. 24, n. 1 (São Paulo: Universidade Estadual Paulista, agosto de 2012), p. 44-55. https://www.scielo.br/j/pcp/a/3sCV35wjck8XzbyhMWnhrzG/#.

[5] Zuleika Lopes Coelho de Oliveira, “Trabalho e gênero: a construção da diferença”, en Mulher e trabalho (Porto Alegre, v. 3, 2003), p. 116 https://revistas.planejamento.rs.gov.br/index.php/mulheretrabalho/article/view/2696/3018.

[6] G. C. V. Resende, “Fatores que influenciam as mulheres à maternidade: construto biopsicossocial ou escolha ética?”, en 2º Seminário Marias do Século XXI (Belo Horizonte-MG, 2016), https://www.nucleomaterna.org/_files/ugd/e7c51b_d945e0952cd94518b09d3fdf50a2e745.pdf.

[7] J. Silva; M. Alves, G. Carvalho; Et al. “A maternidade na trajetória universitária: desafios percorridos pelas discentes da Universidade Federal do Maranhão - UFMA campus VII Codó” (Curitiba, 2020).

[8] D. S. F. Lima y R. C. T. Mioto, “O referencial teórico na pesquisa qualitativa: uma abordagem crítica”, Revista Brasileira de Pesquisa Qualitativa 1, no. 1 (2007): 44.

[9] Philippe Ariès, História social da criança e da família (Rio de Janeiro: Guanabara, 1986).

[10] Mark Poster, “Modelos de estrutura da família”, en Teoria crítica da família (Rio de Janeiro: Zahar, 1979): p. 98-100.

[11] S. M. S. R. de Moura y M. F. Araújo, “A maternidade na história e a história dos cuidados maternos”, Psicologia: Ciência e Profissão vol. 24, n. 1, (São Paulo: Universidade Estadual Paulista, agosto de 2012), p. 44-55. https://www.scielo.br/j/pcp/a/3sCV35wjck8XzbyhMWnhrzG/#.

[12] S. M. S. R. de Moura y M. F. Araújo, “A maternidade na história e a história dos cuidados maternos”, Psicologia: Ciência e Profissão vol 24, n. 1, (São Paulo: Universidade Estadual Paulista, agosto de 2012), p. 44-55

[13] Aminata Forna, Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães (Rio de Janeiro: Ediouro, 1999), 44.

[14] G. C. V. Resende, “Fatores que influenciam as mulheres à maternidade: construto biopsicossocial ou escolha ética?”, en 2º Seminário Marias do Século XXI (Belo Horizonte-MG, 2016), https://www.nucleomaterna.org/_files/ugd/e7c51b_d945e0952cd94518b09d3fdf50a2e745.pdf.

[15] S. M. O. Gradvohl, M. J. D. Osis y M. Y. Makuch, “Maternidade e formas de maternagem desde a Idade Média à atualidade” (Porto Alegre, junho de 2014).

[16] S. M. S. R. de Moura y M. F. Araújo, “A maternidade na história e a história dos cuidados maternos”, Psicologia: Ciência e Profissão (São Paulo: Universidade Estadual Paulista, agosto de 2012): 47, https://www.scielo.br/j/pcp/a/3sCV35wjck8XzbyhMWnhrzG/#.

[17] Brasil, Lei nº 1.331, de 5 de outubro de 1827, Estabelece as bases do ensino público no Brasil, https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LIM/LIM..-15-10-1827.htm.

[18] T. S. Emidio y M. F. de Castro, “Entre voltas e (re)voltas: um estudo sobre mães que abandonam a carreira profissional”, Psicologia: Ciência e Profissão 41 (2021): 4, https://doi.org/10.1590/1982-3703003221744, citando a Mansur, 2003, 31.

[19] P. J. Rodrigues R; MILANI, Débora Raquel da C.; CASTRO, Laura Laís de O.; et al. “O trabalho feminino durante a Revolução Industrial”. Xll Semana da mulher, Universidade Estadual Paulista (UNESP) São Paulo, 23 a 27 de março de 2015.  https://www.marilia.unesp.br/Home/Eventos/2015/xiisemanadamulher11189/o-trabalho-feminino_paulo-jorge-rodrigues.pdf.

[20] C. L. Duarte, “Feminismo: uma história a ser contada”, en Pensamento feminista brasileiro: formação e contexto (Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019), 25-47.

[21] Duarte, “Feminismo”, 30.

[22] R. C. F. Giordani, D. Piccoli, I. Bezerra y C. C. B. A. Almeida, “Maternidade e amamentação: identidade, corpo e gênero” (Curitiba, agosto de 2018), 2732.

[23] Resende, “Fatores que influenciam”, 11.

[24] T. Saalfeld, “Maternidade e vida acadêmica: limites e desafios das estudantes mães na Universidade Federal do Rio Grande – FURG” (Rio Grande, 2019), 54.

[25] Elisabeth Badinter, Um amor conquistado: o mito do amor materno, traducido por Waltensir Dutra (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985), 179, 181.

[26] F. da S. Kauark, F. C. Manhães y C. H. Medeiros, Metodologia da pesquisa: guia prático (Itabuna, BA: Via Litterarum, 2010), 24.

[27] Kauark, Manhães y Medeiros, Metodologia da pesquisa.

[28] A. C. Gil, Como elaborar projetos de pesquisa, 4ª ed. (São Paulo: Atlas, 2002).

[29] M. C. de S. Minayo, org., Pesquisa social: teoria, método e criatividade, 6ª ed. (Petrópolis: Editora Vozes, 1996).

[30] C. A. Augusto; SOUZA, José Paulo de; DELLAGNELO, Eloise Helena L.; et al., “Pesquisa qualitativa: rigor metodológico no tratamento da teoria dos custos de transação em artigos apresentados nos congressos da Sober (2007-2011)”, 748, citando a A. S. Godoy, 2005.

[31] J. Silva; M. Alves, G. Carvalho; Et al, “A maternidade na trajetória universitária”, 11.

[32] L. L. B. Gomes, “Mulher, mãe e universitária: desafios e possibilidades de conciliar a maternidade à vida acadêmica.”, Trabalho de conclusão de curso de graduação em Terapia Ocupacional da Universidade Federal da Paraíba (João Pessoa, 2020).

[33] BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A Redação do Enem 2023: cartilha do participante. Brasília, 2023. p.19

[34] Gomes, “Mulher, mãe e universitária”,11.

[35] Zuleika Lopes Coelho de Oliveira, “Trabalho e gênero: a construção da diferença”, en Mulher e trabalho (Porto Alegre, v. 3, 2003), 116, https://revistas.planejamento.rs.gov.br/index.php/mulheretrabalho/article/view/2696/3018.

[36] T. Saalfeld, “Maternidade e vida acadêmica: limites e desafios das estudantes mães na Universidade Federal do Rio Grande – FURG” (Rio Grande, 2019), 83.

[37] R. C. Ávila y É. A. Portes, “A tríplice jornada de mulheres pobres na universidade pública: trabalho doméstico, trabalho remunerado e estudos”, Revista Estudos Feministas 20, no. 3 (2012), 809-832. https://doi.org/10.1590/S0104-026X2012000300011.

[38] C. Nunes y L. M. N. Silva, “Acesso e permanência na educação superior x exercício da maternagem: entre trajetórias, representações e exigibilidade de políticas estudantis”, Direito UnB 4, no. 1 (Brasília, enero-abril de 2020): 41-79.

[39] Nunes y Silva, “Acesso e permanência na educação superior x exercício da maternagem”, 43.

[40] RIO DE JANEIRO (ESTADO). Lei N° 8.497/2019. Dispõe sobre a criação do Espaço Infantil nas Instituições de ensino superior da rede pública e privada e dá outras providências. Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, 2019.